Companhia

Vendo as luzes da cidade, penso que cada luz é uma companhia a si própria. Nos grandes prédios com muitos apartamentos que me circundam, não há interação entre os moradores, neste momento, durante a noite fria. Os que estão com as luzes acesas não percebem os outros que assim também estão. Mas há alguém que os percebe. Minha luz não está acesa, seja por falta de necessidade, seja porque fica mais fácil observar as outras deste modo.

Percebe-se que as luzes são uma companhia a si próprias, e os poetas, os pensadores e os gatunos de plantão as dão importância e relevância. Justamente estes - os sem luz - transformam o conjunto dos prédios da cidade.