O homem e os frutos

Com seu chapéu de palha, o homem colhe os últimos frutos de seu jardim, e então vira-se para olhar o mar. Ele já fora um homem rico, daqueles que muito se ouve falar na cidade. Mas o tempo não foi gentil com o homem. Agora não é mais rico; é pobre. Mas o leitor se engana ao pensar que falo ainda de sua fortuna. Falo mesmo de algo muito mais precioso. O homem está vazio, e o pouco que sobrara dentro de seu jardim já não existe mais. Os poucos frutos que ele mesmo havia plantado nos tempos de homem rico já não estão mais lá. E para onde foram? Pouco importa. O homem já não sabe para onde foram seus frutos, se é que um dia foram dele. Ele os plantou, mas nunca lhe pertenceram. Ou pertenceram? Talvez o homem nunca encontre a resposta. Então decide atirar os frutos ao mar. Nunca foram dele, mesmo. Ou foram? Pouco importa. Afinal, quem sentirá falta de alguns poucos frutos?

O homem observa enquanto se distanciam no horizonte. Então ele pensa no que fará sem eles. Desesperado, atira-se ao mar, perdendo-se à procura dos frutos.

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