À luz da malandragem

Há tempos que sinto: estão nos matando. Só vivemos de esperanças. Esses pontos que não podíamos jogar fora e perdemos, não tem o que fazer, já deixamos para trás. Nessa hora não há mais o que lamentar, hoje só temos um destino. Não estamos falidos de paixão, não estamos falidos de coragem, não caímos por completo. Façamos concreto e azul do que é plástico e insosso.
 O que nos feriu e fez sofrer nos encara como que pedindo perdão. Nessa noite não quero este olhar pidão, a cabeça baixa, não quero desculpas. Se este time já foi baixo então que hoje seja charmosamente baixíssimo. Sem cortesia, sem ternura. As lembranças dos dias de glória começam a doer, sem transformar lágrimas em suor, que apertem mais, que façam força nos músculos. Hoje é um dia em branco, sem fantasmas do passado, sem triunfos para atormentar. Nenhum homem jamais esteve neste lugar que queremos alcançar.
 Neste teste tricolor, há mais para funcionar do que sístole e diástole. Que venha a luz dos botecos, que venha a magia da irresponsabilidade, a ginga de viver o mistério do futebol. Estejam iluminados de malandragem, pois mais do que nunca os borrachos e loucos devem estar presentes, de corpo, alma e fé. Começa mais uma dura batalha e vamos lutar malandramente.
 É hora de escrever a história do nosso novo estádio e fazê-lo estádio de fato. Não temos arena, não temos mais luxo nenhum. É preciso suar a camisa com a euforia de um canalha e ser forte como nossos soluços, os delírios que despertam o corpo devem envolver quem estiver por perto. O jogo começa essa noite, mas só acaba dia 19. Vamos com tudo.