Foto: Lucas Uebel/ Grêmio FBPA

Amor descontrolado por vencer

Nossos olhares desconfiados atravessaram a neblina e, mesmo contra a vontade de alguns, chegaram até Chapecó. A desconfiança vem da falta de compreensão, de não reconhecer o time grosseiro que estava diante de nós. Os jogadores do time catarinense mantiveram uma postura combativa pelos 105 minutos em que os 3 pontos e aquela posição tão almejada na tabela estavam em jogo. O gramado já não podia mais drenar o peso de tantas histórias dessa partida.

Nos gols de Michel, que se recupera e amadurece acima das incertezas que existiam, vê-se o Grêmio brilhante, respeitável, time apaixonante e apaixonado. O tricolor cresce, se desdobra e se lança aos ares buscando o infinito. Um lugar longínquo, muito alto, que muitos dizem conhecer, mas não conhecem de verdade. Porque se existe o topo de um pódio ele nunca é pleno sem a nossa presença lá.

Dizem que Grohe falhou, mas acredito que a linha do gol tenha se adiantado, já que a vitória nos anseia. Ela nos vê chegando e quer se mostrar inteira, mas gosta de suspense, de envolver num feitiço quem se aproxima, então só deixa se descobrir em partes. Assim entra em campo Éverton, o melhor amigo da bola. No seu trato íntimo com a amiga mais querida, ele marca pouco depois de tocá-la e, depois de uma jogada maravilhosa com seus companheiros, sem ansiedade, marca de novo.

A vitória se diverte com a nossa jornada, cada gol e revés eram uma brincadeira sua. Quis desafiar-nos e iludir o clube alviverde com o pênalti convertido para Reinaldo e no gol de Arthur Caike. Todavia, é uma velha conhecida nossa e está ao nosso lado. Mais do que encantar, ela deseja ser encantada, ser conquistada com elegância e primor.

Por isso, mais uma vez, nosso craque é quem coroa o final do escrito. Foi ele quem abrilhantou o placar com o último gol, o time com três pontos e o Brasileirão com a nossa vice-liderança. Aos 45 do segundo tempo, é verdade, Luan alcança o gol que nos é necessário para avançar neste encontro marcado com o esplendor. Comemora o escrete gremista e vibra de amor a torcida tricolor, num delírio de vencer, vencer e vencer cada vez mais real.