Como me tornei (e continuei) vegetariana
Era o dia 10 de outubro de 2014 e eu havia acabado de conhecer A. Estávamos conversando e, literalmente, “trocando uma ideia”. Depois de vários assuntos, A começou a falar de seus pais e contou que todos em sua casa eram vegetarianos. Achei super legal. Então A me perguntou o que eu achava sobre vegetarianismo e percebi que nunca havia parado pra pensar.
Já tive cachorro, gato, peixe e pássaros como animais de estimação, mesmo assim nunca senti essa enorme empatia que algumas pessoas sentem com os animais em geral. Não é como se eu não gostasse deles, mas algumas pessoas fariam simplesmente qualquer coisa para proteger qualquer animal. Qualquer coisa. E mesmo sentindo profundamente algumas questões, naquela época os animais não seriam uma motivação forte o bastante para me fazer mudar, transformar ou partir para a ação sobre essa questão.
Mas o questionamento de A me deixou refletindo sobre o assunto imediatamente e, ao responder que nunca tinha pensado nisso, logo surgiu uma proposta para pelo menos tentar. A próxima vez que vi A foi no dia 26 de outubro. Nesse dia, quando eu e minha mãe fomos comprar alguma coisa para almoçar pedi para trocar a carne comum ou o frango por peixe. A reavivou a proposta e essa foi última vez que comi carne desde então.
Até hoje não sei exatamente o que me trouxe o impulso de transformação, o incentivo para mudar completamente. Foi a conversa com A que me deu a ideia, o pontapé, mas nunca tive um “grande motivo”. O tempo passou e hoje eu simplesmente não consigo mais voltar atrás porque a ideia amadureceu completamente em mim e ganhou um novo peso.
Digo tudo isso porque se você quer se tornar vegetariano, não precisa de uma motivação exata pra isso, apenas vá em frente. Ao longo do caminho fui descobrindo várias coisas que me fizeram pensar que eu estava mesmo no caminho certo.
Algumas delas são que hoje existem grandes áreas sendo desmatadas para se tornarem regiões de criação de gado. Isso, além de ser ruim para as florestas (yes, i’m talking about Amazônia), também é ruim para a camada de ozônio, já que a produção de metano pelo gado influencia no aquecimento global.
Outro fator é que esses e outros animais (pense nas galinhas e porcos) geralmente são muito maltratados. Pense naquele filme de “ficção científica” em que clonam humanos apenas para que doem seus órgãos para os humanos “originais”. Parece cruel, não é? Mas a carne que se consome hoje é fruto de reproduções em massa apenas direcionadas ao abate, sem falar de galinheiros que mantêm suas luzes acesas à noite a fim de que os animais continuem a se alimentar, para que assim engordem rapidamente.
Muitos me dizem que não se importam com isso porque se não abatessem estes animais não haveria carne e que, assim como homens primitivos, precisamos comê-la. Recentemente em uma discussão, lembro de dizer que a semelhança entre a carne e a religião é que o ser humano precisou de ambas para chegar até aqui. Independente da sua opinião sobre religiões, o problema da atualidade não é exatamente o consumo de carne, mas a produção. Não há mais apenas o abate necessário para a alimentação mundial (sem mencionar os problemas de distribuição) e sim um massacre indiscriminado de animais.
Mesmo que eu tenha me tornado vegetariana a princípio como uma maneira de experimentar esse estilo de vida, hoje sei que meus hábitos possuem um significado muito maior. Sim, comer carne é muito bom e eu sempre apreciei o gosto. Mas eu abri mão disso e essa foi a verdadeira escolha que tive que fazer e é a escolha chave sobre isso. Abri mão do sabor da carne porque quis, porque posso (consigo repor, mesmo que com dificuldades, a proteína) e porque sei que existem coisas mais importantes do que isso. Abri mão de sentir um prazer do meu paladar e hoje continuo porque acredito que essas ações têm um impacto no mundo.
Você talvez não queira se tornar vegetariano, mas concorda com o que eu digo. Se assim for, te convido a experimentar uma semana sem carnes. Pense que se você conseguir uma, consegue duas e assim por diante. Deixar de comer carne é uma afirmação contra os excessos do mundo e em favor do meio ambiente.