O ímpeto de acreditar e vencer

Desde o dia em que os confrontos foram definidos eu sabia que precisaríamos de uma força maior para ganhar essa partida, solicitei a ajuda dos deuses do futebol e de toda a mística possível envolvendo o tricolor. Era preciso um time de loucos e uma torcida de loucos. Não fui a única a perceber que precisávamos de ajuda, realmente havia algo de mágico no clima de ontem. O papel voando lembrava os tempos de Olímpico, tínhamos algo grandioso ali e nem sabíamos o que vinha pela frente.
Quando Ramiro chutou aquela bola, ninguém acreditava. Nem ele acreditava. Cheguei a reclamar, meu reflexo foi de pensar “o cara chutou a bola para ninguém”. De certa forma eu estava certa: ele chutou pro gol. Quando ela entrou o descontrole foi geral. Aquele foi o gol que liquidou a equipe palmeirense, ali estava decretada a sua derrota. O primeiro gol de tamanha decisão foi como um corte ardente no calcanhar de Aquiles, o líder sangrava.
 Num embate de medalhões entre Douglas e nosso ex Zé Roberto, deixamos o recado: aquele Grêmio vinha com tudo e não iria perder. Kannemann ajudou a segurar o escrete alviverde como se azul, preto e branco fossem sua segunda pele. Geromel sempre brilha além de suas obrigações e ontem não foi diferente. Ramiro e Marcelo Oliveira fizeram o impensável se pensarmos em suas antigas atuações.
 Formou-se ali uma configuração forte e confiante, ali eram mais que jogadores em uma partida, era um verdadeiro time para o qual podíamos torcer. Tínhamos dois na conta quando o pênalti foi marcado e, diga-se de passagem, a arbitragem foi lamentável. Que a CBF é cretina ninguém duvida, porém ver o destempero agindo é assustadoramente asqueroso.
 Feito o score, infelizmente chega o gol palestrino e só aumenta o gostinho de “quero mais”. O terceiro gol não veio, mesmo com o jogo controlado. Só veio a festa da geral, o delírio de que é possível, outro passo neste caminho audaz em busca do título. E o jogo ainda não acabou, São Paulo aguarda nossa fúria e loucura desesperadas pela glória. Neste intervalo o entusiasmo não pode morrer por falta de fé, por pensar em pensar, vamos agarrar o impossível e fazê-lo uma velha lembrança. Preparem-se para o segundo tempo.

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