Cama de ébano
Aug 24, 2017 · 1 min read

Ó Morfeu, sei que trás meu castigo
quando acordo e não encontro ruído,
quando sonho com meu próprio jazigo.
Peço que olhe pelos sonos que me tem regido.
Encaro as íris azuis e obscenas, que
fazem olhares de ojeriza abominável,
fomentam lágrimas como quem ordena:
“suma daqui com seu coração deplorável!”
Faço, em vão, do quarto minha clausura, meu
refúgio dos sonhos, minha própria vivenda.
Temo o que sinto encarando minha fratura, mas
trago linha e agulha pois o tempo remenda.
