Crivela versus Freixo: Estado Mínimo versus uso consciente

Deixando tudo mais de lado (ou as especificidades de lado), o cerne das diferenças entre Crivella e Freixo reside no papel do Estado.

Um quer Estado Mínimo (Crivella), outro usá-lo bem (Freixo). Isto, claro, partindo do pressuposto de que uma vez (Eventualmente) no poder Crivella fosse realmente levar adiante seu discurso.

Crivella deixou claro que quer enxugar a máquina pública, tornar o Estado mero fiscalizador da atividade empresarial. Empresas seriam parceiras, o sistema S seria essencial. Ou seja, Crivella defende a privatização do Estado e que o empresariado seja o motor do desenvolvimento. Essa história já conhecemos.

Freixo, por outro lado, quer limpar os excessos — acabar com comissionados, por exemplo -, mas usar o Estado em prol da população. Ter no Estado o ponto focal de mudança, usando a estrutura existente em prol da população. Seu grande desafio é conseguir fazer o Estado funcionar como idealiza.

Um se aproxima do ato de lavar as mãos, outro tem o inglório desafio de conseguir fazer um Estado ineficiente e corrupto funcionar.

Como eu já comentei antes, Estado Mínimo num país como o Brasil (ou numa cidade como o Rio) é temerário. Estado tem que ter papel central. A questão — como em tudo na vida — é como fazer funcionar.

Estado meramente fiscalizador não existe. Serve à desigualdade. Mesmo aqui na Europa, Estado tem papel central. No Brasil é mais que necessário.