Fora do poder, necrogovs tentam se apropriar de símbolo criado por sua repressão

“Rafael foi a única pessoa a ser presa e condenada em conexão com os protestos de junho de 2013, mas seu caso foi apenas o começo de uma verdadeira saga, a qual ativistas e especialistas legais dizem simbolizar o racismo institucionalizado do sistema judicial brasileiro e a criminalização da pobreza no país.”

Rafael Braga foi preso pela primeira vez durante os protestos de Junho de 2013, no Rio de Janeiro, por carregar garrafas de desinfetante e para servir como exemplo. Mais um negro pobre vítima de armação policial, mais uma vida completamente destruída pelo moedor de carnes que é o Estado repressor — naquele momento, sob controle do PT e do PMDB.

Em junho […] o Brasil foi sacudido por uma onda de protestos que ficou conhecida como Revolta do Vinagre, em menção ao líquido amplamente usado por jornalistas e manifestantes na contenção dos efeitos do gás lacrimogênio, usado em abundância pela polícia. Em meio a centenas de prisões arbitrárias tanto em junho quanto nos meses posteriores, Rafael foi o primeiro a ser definitivamente condenado por um tribunal e forçado a cumprir pena.

Após ser libertado e depois de uma campanha constante por sua liberdade e por seus direitos, Rafael foi novamente incriminado e condenado.

No dia 20 de abril de 2017, Rafael foi condenado por tráfico de drogas, e desta a sentença foi de 11 anos e três meses de prisão. A condenação veio em meio a uma intensa campanha (agora em seu terceiro ano) realizada por ativistas que repetidamente apontaram as contradições e irregularidades nos dois julgamentos de Rafael.

Um fato curioso diferencia sua primeira prisão e condenação da segunda: Agora necrogovernistas de toda espécie resolveram notar que ele existe — e que pode ser usado.

Não é um fenômeno isolado, após perder o poder, petistas passaram a defender indígenas e a se opor (timidamente e mais na retórica) à reformas como as da previdência e trabalhista. Impressionante como perder o poder acende o senso de oportunidade (ou oportunismo?) desse pessoal.

Durante os protestos de Junho de 2013 petistas se limitavam a gritar VAI PM, a defender de forma entusiasmada a repressão e até hoje muitos continuam repetindo que nós, nas ruas, éramos fascistas e que ajudamos a direita a “tomar o poder”. O fato do PT estar, na época, aliado a praticamente toda a direita brasileira é mero detalhe. E que, junto a essa direita, patrocinaram ações violentas das forças policiais, parece passar despercebido. Haddad e Alckmin juntos em São Paulo, PT e PMDB no Rio, etc…

Os reais fascistas, no poder, usavam até o paint para incriminar a esquerda.

A ironia de terem se colocado ao lado da repressão estatal e da violenta e assassina Polícia Militar enquanto diziam que “direita” eram os outros parece ter passado despercebida.

Eis que durante um evento em Londres com a presença do juiz Sérgio Moro e do ex-ministro da justiça de Dilma, José Eduardo Cardozo, a filósofa que nunca publicou um artigo na vida, Djamila Ribeiro, resolveu usar Rafael Braga como exemplo para criticar Moro (que nada tem a ver com a história) e elogiar Cardozo, o ministro responsável pelo Ministério da Justiça na época que nada fez pelo Rafael. Na verdade ele fez pior, como lembra o Rogério Junqueira:

Se temos que — e penso que realmente devamos — criticar o arbítrio dos poderes, os nomes de Rafael Braga e de Eduardo Cardozo não deveriam aparecer como se estivessem do mesmo lado. À época da prisão e dos processos contra Rafael, Cardozo assumiu claramente (nos dois sentidos) um lado. E não foi o de Rafael.

O governo do Rio — e o controle da PM — estava sob controle do PMDB junto ao PT. É sempre bom lembrar.

Djamila, a filósofa sem nenhuma publicação no lattes na área de filosofia (ou qualquer área), ex-assessora do Haddad especializada em lacração, posts irrelevantes no Facebook e tretas risíveis, a quem chamo carinhosamente de neo-lombrosiana, escreveu em seu facebook:

Tá rolando um debate com Moro e Cardozo. Cardozo foi brilhante, aliás. Moro defendeu a aplicação ortodoxa da lei. Eu fiz a primeira pergunta. Disse que hoje era a libertação formal da escravidão e que escravidão era legal. Que eu tinha medo da aplicação ortodoxa da lei, sobretudo na questão penal, porque era essa a visão que encarcerava em massa a população negra. Que esse populismo penal faz com que Rafael Braga tenha sido preso por porte de pinho sol. Ou seja, que a população negra vive em Estado de exceção e, que vemos a arbitrariedade se alastrar com o impeachment da presidenta Dilma, com o fato de um juiz decidir interromper as atividades do Instituto Lula. Disse que era preocupante Moro, um juiz, ser ovacionado, pois isso demonstra a partidarização do judiciário. E perguntei: podemos falar numa ditadura do judiciário? É possível dialogar com a arbitrariedade?
 Quase não consegui concluir porque o fã clube do Moro ficou me vaiando e interrompendo. Mas perguntei, né? Se não é pra causar, nem venho.

Djamila Ribeiro aplaude e elogia Cardozo, o ministro responsável pelo Ministério da Justiça (sic) que não deu um pio sobre o caso Rafael Braga. Que ofereceu Força Nacional para ampliar a repressão nas ruas e criar mais rafaéis, mais feridos, mais perseguidos. Cardozo contribuiu diretamente para a criminalização dos protestos de 2013 — e para a prisão de Rafael Braga.

Ela defende o governo RESPONSÁVEL pela perseguição ao Rafael Braga e enquanto o PT estava no poder ela não se preocupava sequer em mencionar Rafael Braga. Não era símbolo para ela.

PT saiu do poder e, vejam só, os RESPONSÁVEIS pelo que ele passou e passa resolveram usá-lo. Não passam de oportunistas.

E notem, o próprio Cardozo não considerou as prisões durante os protestos de Junho e contra a Copa como arbitrárias.

Vale um adendo, Djamila criticou o Moro e falou do Rafael Braga em uma pergunta ao Cardozo e não ao Moro. O juiz estava sentado na mesa e a Djamila faz pergunta pro cara do lado dele. É pusilânime.

A partir de 57:30. E a resposta do Moro em 1:07:00.

Rafael Braga foi preso de modo ilegal não tendo respeitados seus direitos. Não foi preso por ‘aplicação ortodoxa da lei’, foi preso porque isso não quer dizer porra nenhuma: Djamila Ribeiro não entende isso porque é praticante da aplicação ortodoxa da burrice. via Henrique Kopittke.

Rafael Braga não foi vítima de “aplicação ortodoxa da lei”, ele foi vítima de perseguição e incriminação durante o governo que ela apoiava. Se a lei tivesse sido aplicada ele nunca teria sido sequer preso. Djamila e outras ~ativistas~ necrogovs defendem ricos corruptos e usam pobres e fodidos pra isso. A relação entre essa turma lacradora, justiceiros sociais, e o PT é antiga e carnal.

Um amigo comentou:

Não basta a pessoa reclamar da “aplicação ortodoxa da lei” sendo que no brasil o problema é o contrário, é passarem por cima da lei e garantias, se tivesse aplicação ortodoxa nao prendiam o rafael braga; não basta a filhadaputa usar rafael braga e prisão de gente pobre pra defender dilma e lula, mostrando a utilidade da minoria no discurso dela (defender ricos e poderosos); não basta a pessoa misturar “aplicação ortodoxa da lei” com “estado de exceção”; ainda por cima ela tem de ser a pessoa insuportável q vai em um evento/palestra e pega o microfone e faz uma pergunta IMENSA, pq quer mais aparecer mais do que os palestrantes.

Sobre Estado de Exceção e afins, a Aline Passos deu uma aula no Facebook:

E em outro post completou:

Tem que gostar muito do sistema penal para dizer que as pessoas negras vivem em um estado de exceção. Tem que realmente acreditar que ele foi feito para outra coisa e, todo dia, quando se descumpre uma garantia constitucional, isso é (paradoxalmente ao “todo dia”) uma exceção. Toma-se por “regra” o ordenamento jurídico e não a vivência (galera que adora uma lugar de fala nem para sacar este tipo de coisa serve). Daí porque tem gente que acha que estado de exceção é descumprir a lei. Foda.

Djamila não é a única a tentar se apropriar de Rafael Braga para seus propósitos, como se realmente se importassem com ele, é bom deixar claro. Hoje você encontra petistas com a imagem de Rafael em seus perfis do Facebook, você encontra textos em sua defesa feitos por gente que defendia repressão até pouco tempo atrás, enfim, não passa de hipocrisia.

Por fim, uma mensagem para os responsáveis pela situação do Rafael Braga que, agora, querem usá-lo como símbolo, via Caio Almendra:

Gostaria de lembrar a todos que, no Brasil, existe uma figura jurídica chamada “graça” que permite que um chefe do executivo acabe com a pena de um condenado com uma canetada.
Em outras palavras, Dilma podia ter libertado Rafael Braga, independente da opinião do Judiciário sobre o assunto. Não o ter feito foi um prolongamento da arbitrariedade que Rafael Braga viveu e vive. O uso da imagem do Rafael Braga pelo petismo, considerando isso, é um completo absurdo.