Imposição e exclusão: A reforma do currículo escolar de Temer

Independentemente de Temer ter ou não voltado atrás na suposta retirada de matérias do ensino médio (notadamente filosofia, sociologia, educação física e artes, com destaque para as duas primeiras), penso que botar ou tirar matéria não deveria ser o ponto central da discussão, e sim COMO e PRA QUE tais matérias são ou não ensinadas.

Eu tive filosofia/sociologia na escola, era péssimo. E eu sou da área hoje. As matérias tradicionais de história e geografia me influenciaram mais do que as matérias novas (na minha época).

Por outro lado, podiam nos enfiar mais 500h de exatas, eu ainda assim não aprenderia quase nada, como não aprendi (quase nada). Eu não tinha motivação, incentivo ou vontade alguma para aprender cálculos em química, ou dezenas de regras que eu via como francamente inúteis em física, etc…

BOTA MAIS INGLÊS! E ESPANHOL TAMBÉM!

Alguém conhece quem saia da escola falando inglês sem curso depois das aulas normais? Pode multiplicar por 100 o horário de qualquer matéria que não resolve se não tiver propósito, método e for interessante ao aluno.

Curioso em todo esse debate que é muito cacique pra pouco Índio debatendo, ninguém pergunta aos estudantes o que ELES pensam do ensino. O que ELES querem. Os secundaristas deram aula de democracia com as ocupações, mas seguem excluídos dos debates que interessam a eles…

O questionamento é válido, e penso que eles, os secundaristas, tem que ser parte do processo já que são os mais interessados. E imagino que eles tenham mais capacidade/informação de pensar e decidir sobre suas escolas do que a ampla maioria dos deputados que não fazem ideia de como funciona o sistema e nem se importam.

Quanto a um suposto viés ideológico, os deputados tem os deles, os professores idem, assim como os alunos. O objetivo é um debate democrático em que todos tenham espaço. Depois das ocupações ficou, ao menos pra mim, provado que os estudantes tem ampla capacidade de pensar em sua própria situação, seu entorno e são capazes de transformá-lo (e querem!).

Dito isso, não li a MP do Temer sobre reforma curricular. Deploro o método impositivo, mas não posso atacar conteúdo sem ler.

E não esqueçamos, Dilma propôs tirar sociologia e filosofia do currículo e tem lei da época dela que ELA queria forçar aos estudantes uma mudança radical.

Não ficou claro?

Mas então a pelegada calava a boca e aceitava tudo porque o PT manda, burocracia pelega sindical obedecia sorrindo.

Tipo as visitas da UBES às escolas ocupadas ano passado? Só iam pra cooptar e eram expulsos. Escória por escória.

E a turma BlogProg aparece para defender e justificar:

Pelegos irão pelegar…

A diferença é que Dilma ia FUNDIR matérias (ao invés de, digamos, 2h de sociologia e 2h de filosofia passaria a 2h de filosofia+sociologia. Viu? Não mudou (quase) nada!

E ela não faria por MP, é verdade, ela contaria com sindicatos pelegos aparelhados e, qualquer coisa, poderia convocar a turma pra esmurrar a mesa e gritar “a reforma vai sair porque eu quero e ponto”, igualzinho ela fez com Belo Monte. Mas tudo seria muito democrático.

PS: É preciso deixar claro que fazer reforma curricular via medida provisória é simplesmente absurdo, isso nem está em discussão.