Ministra Damares: De Jesus na goiabeira ao ministério de direitos humanos

Não muda em nada minha posição sobre ela ter problemas mentais, na realidade aumenta minha certeza de que ela deveria buscar tratamento — e não ser ministra. O que ela passou é horrível, não justifica depois de velha manter fantasias.

Defender uma goiaba e sua alucinação pós-trauma enquanto a própria goiaba propõe para outras vítimas de estupro “olha aqui um dinheiro, mas só recebe se deixar o fruto do seu estupro nascer”.

Não, não trabalhamos. Ela precisa de tratamento.

Todo mundo tem traumas. Alguns piores que os outros (e o dela é terrível), no entanto transformar isso em guia de políticas públicas para prejudicar outras vítimas (bolsa-estupro) e manter-se descolada da realidade… Aí não.

Ser vítima não torna razoáveis as besteiras que se fala (ou que ela fala).

E notem que estou partindo do princípio que ela, fanática religiosa, tenha qualquer legitimidade para assumir um cargo de ministra (pior, de direitos humanos). Ela não tem. Mas infelizmente o Brasil elegeu uma figura sequelada e perigosa que resolveu nomear alguém claramente desequilibrada e sem aptidão para o cargo com um trauma não superado do passado, que não consegue separar uma suposta experiência subjetiva, pessoal e não verificável de sua pretensa atuação na vida pública, e que é visivelmente movida por ressentimentos oriundos de um trauma e quer usar a máquina do Estado para impor sua Fé.

É ok (e compreensível) uma criança acreditar em papai noel, um adulto acreditar é sinal de problemas graves. Não importa se esse “papai noel” for jesus numa goiabeira ou qualquer outra coisa. Sem dúvida foi um mecanismo que ela encontrou pra entender e aceitar a situação, mas depois de 60 anos de vida (ou mais) passou da hora de procurar ajuda profissional. Notem que o problema aqui não é a religião, o problema é usar a religião como fundamento para uma política pública.

A posição de vítima é glorificada e assume uma função estratégica nos dias de hoje. É o herói do nosso tempo, arauto da verdade. Isso vale pra esquerda e pra direita. Aliás, queria saber a opinião da turma lacradora “a vítima tem sempre razão” nessa questão.

De um lado tem o discurso da vítima ter sempre razão, do outro a vítima em questão é contra o aborto. Esse é um problema primordial da teoria absurda de “lugar de fala” aliado à ideia mais estapafúrdia ainda de “a vítima tem sempre razão”, porque no fim legitima qualquer absurdo e porque pessoas são diferente, tem diferentes agendas e intenções e, no fim, a insistência nisto acaba abrindo espaço pra que pessoas fora do seu campo ideológico também usem tais conceitos quando lhes convém e, bem, não há como discordar.

Esse é o corolário desse identitarismo maluco que tomou a política: mais dia menos dia aparece alguém da identidade “certa” que fará as coisas mais absurda e a turma falando em “representação” e “lugar de fala”.