Quando o PSOL largará o osso e fará oposição real ao PT? — Blog do Tsavkko

Comenta um amigo:

Assisti ao programa do PSOL ontem. Gostei muito. Mostrou bem o descalabro em que deixaram o país estes treze anos e meio de governo do PMDB.

Ironia, creio, clara. 
 
 O programa do PSOL passou minutos arengando contra o PMDB, partido que pese merecer todas as críticas, foi sócio do PT por menos da metade dos 13 anos do partido no poder. No caso do Rio, o PMDB governa, mas não sem o imenso apoio e sustentação dados por PT e PseudoB.
 
 O problema é que o discurso do PSOL é eternamente o de “ah, o PT não é tão mal assim, dá até pra gente compor com eles”. Não larga o osso. Parece que o PSOL não quer jamais andar sozinho, com as próprias pernas, precisa ter o irmão mais velho sempre ali, vigilante, aprovando, dando tapinha nas costas ou dando umas palmadas de vez em quando. O PT governa o país há 13 anos, governa o Rio com o PMDB há década, mas conseguem atacar o PMDB esquecendo o PT? Isso não é tática, estratégia, não é nada, é só covardia. 
 
 É medo de alienar a turminha “mais amor por favor” que pode acabar votando num candidato do PSOL diante de alguma eventualidade. Parece cachorro tomando porrada, mas voltando pra lamber a mão do dono esperando ganhar biscoito. No final o PSOL sempre embarca no voto critico e ajuda a sustentar governos PIORES do que os que se opõe de forma mais radical.

É possível compreender (ainda que não aceitar) que o PSOL dispute parte da base do PT, que tente se aproximar daqueles insatisfeitos, mas que ainda não estão dispostos a largar o PT. Mas fica aquela questão: Tantos anos investindo nessa tática renderam frutos? O país melhorou? O PT foi pra esquerda ou o PSOL teve um crescimento que justifique a insistência? Adianto a resposta a todas as perguntas: Não. 
 
 E fica a dica, quem colocou Temer no poder (como vice) foi o PT, e com votos e campanha do PSOL. 
 
 E eu sinto informar, mas um partido que passa seus dias na base do morde e assopra não inspira confiança. Não vai atrair eleitores petistas e periga perder até apoio dentre sua base tradicional pra partidos que sejam capazes de sustentar críticas sem afinar algumas horas depois.

Nas eleições cariocas, em que Freixo e Molon (Rede) foram tirar fotos com Jandira — que jura de pé junto não ter nada a ver com a falência do Rio ou com todos os crimes do PMDB que ela apoiava — fiquei com uma dúvida: 
 
 Se a Jandira chegar no segundo turno e o Freixo não, o PSOL vai apoiá-la? Eu já sei a resposta, mas… Perguntar não ofende. Vai ter Jean de joelhos chorando e a chamando de Jandiramãe e o Freixo dizendo que é pelo bem do Rio — como fez com a Dilma?
 
 E não me venham com “ain, você é anti-petista” porque sim, eu sou. Já assumi publicamente e não há problema algum nisso. É como ser anti-tucano ou antifascista, uma obrigação.

Originally published at www.tsavkko.com.br on June 23, 2016.

Like what you read? Give Raphael Tsavkko Garcia a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.