Plano de fuga
De outro a ouvir, preciso,
enquanto me mostro
omisso ao passo comum
e passo.
De longe a ouvir me faço,
me finjo de besta e traço
inquieto e aflito o destino
daquilo que acho acaso.
Sedento de vida, não paro.
Se tombo, não caio.
Me mato e não falo,
espero e reflito o próximo parto.
E antes do fim, ainda com muito chão,
caminho atento ao circo
e pouco valor dou ao pão.
Não penso em crescer o umbigo,
o que me alimenta é a canção.