
GEMINI SOUL
Pesei pela manhã pra ter certeza de que não havia engordado uns 10kg durante a noite, pois era difícil levantar, era quase um sacrifício. Arrastar meu corpo pra onde deveria ir, com um enorme peso em mim. O caminho até o telhado parecia infinito. Chegando lá, acendi uma ponta e senti a fumaça em meus olhos, eles ardiam, ardiam desde algum tempo, ardiam e pesavam também, e então… vazaram. Lágrimas ácidas, pareciam queimar meu rosto, deformá-lo, lágrimas vazias, lágrimas sem motivo (ou talvez com tantos que eu estava perdida). Sentei em uma coluna da grade na laje e permaneci imóvel enquanto observava tudo por ali, cada dia a vista parece diferente, mas a sensação que me traz é sempre de calma. Chamo de “momentos para pensar” mas são os momentos em que nenhuma palavra percorre minha mente, paralisa o caos. E então, chega a hora de voltar pra tudo isso, essa maratona que já percorro já faz tempo, 20 anos e alguns meses. Maratona essa que as vezes me cansa, as vezes me surpreende mas tenho consciência de que a controlo. Ultimamente, pareço não estar em condições de controlar mais nada. Sei que poderia ser: uma pessoa melhor, filha melhor, namorada melhor, um eu melhor mas essas expectativas diariamente frustam o meu eu real, fazendo assim com que eu tenha passe livre pra transitar entre minha realidade e o mundo dos planos não concluídos ou fracos, e me fazem pedir desculpa em excesso. Desculpa por isso, por aquilo, desculpa pelo caos, desculpa por ser exatamente como sou.
