São Paulo, 1X de fevereiro de 20XX, 6h38min.

Estou em pé na plataforma lateral da estação Corinthians-Itaquera. Um trem passa direto sem prestar serviço. Os auto falantes emitem um zumbido e em seguida uma voz cansada e anasalada diz: “Aguarde o trem seguinte atrás da faixa amarela. A faixa amarela é a sua segurança”.

Olho para os meus pés e vejo que ultrapassei a faixa e estou bem na ponta da plataforma. Sinto uma pressão muito grande no ambiente. O tempo parece parado. Dezenas de pessoas que estão mais atrás me empurram para a frente inconscientemente.

3 minutos se passam e vejo a luz do farol do trem se aproximar.

Todos ao redor endireitam a postura. Olho para os rostos dos indivíduos ao redor e vejo a mesma expressão tensa em cada um deles. O trem reduz a velocidade. Sinto o coração bater forte e inspiro profundamente.

O trem pára à minha frente. A porta está fechada. Sinto como se uma onda batesse em minhas costas e eu fosse levada para a frente. Seguro na lataria do trem enquanto tento não cair no vão da plataforma. Sinto no meu peito um sentimento estranho, bem diferente do tédio que sinto há semanas. Prendo a respiração por um instante.

A porta se abre.

Com agilidade, salto para dentro do trem e corro em direção ao banco vazio próximo a janela do lado esquerdo, meu lugar favorito.

Esboço um sorriso. Vitória, hoje vou sentada até a Barra Funda.