A boa e velha liberdade de viver

Não, eu não pretendo dar lição de moral em seu ninguém: só to compartilhando pensamentos meus, coisas que eu ando aprendendo aos pouquinhos.

Esclarecido esse ponto, vamo em frente:

Uma das coisas que existem dentro da gente que eu acho mais venenosa é aquela mania de achar que existe um modelo de vida que todo mundo tem que seguir pra poder ser feliz. Aquela mania de achar que o meu jeito é o melhor jeito, e que se alguém faz diferente do que eu faria, essa pessoa:

  1. Vai se ferrar,
  2. Vai se arrepender,
  3. Não vai ser feliz,
  4. Tá errada.

Eu me pego pensando assim várias e várias vezes por dia. E desde que percebi isso, venho me esforçando pra lembrar que as pessoas podem ter estilos de vida completamente diferentes do meu e tá tudo bem.

Porque eu vivi por muito tempo tentando me ajustar em locais e situações e a ideias com as quais eu não me sentia confortável e isso me fez sofrer demais. E passei por momentos nos quais eu comprei muita briga pra poder viver a MINHA vida do jeito que EU achava melhor. E quando me diziam que eu estava errada e ia me arrepender eu respondia:

“Pode ser que eu esteja errada e que minhas decisões me tragam consequências, mas eu prefiro lidar com as consequências das decisões que eu tomei do que das decisões que tomaram por mim. Boas ou ruins, foram minhas escolhas e eu aceito ser responsável por elas.”

Acredito nessa ideia com todas as minhas forças. Acredito que liberdade não existe sem responsabilidade. E acho que a melhor coisa que eu conquistei até hoje foi o direito de cometer meus erros. De dar as minhas cabeçadas e decidir o que é bom pra mim.

Semana passada me perguntaram como eu sabia o que era certo e errado sem me basear num conjunto de regras pré-estabelecido. Achei a pergunta engraçada, porque a minha resposta automática seria “bom senso”. Mas pensei antes de responder e disse algo que, por mais óbvio que pareça, eu demorei a tomar posse: eu vou descobrindo no caminho.

Porque eu aprendi que certo e errado não são conceitos absolutos. Que o que vale pra mim pode ser diferente do outro. E substituí aquela moral que foi imposta a mim desde de criança por uma moral minha, prática, baseada em princípios meus e que fazem sentido pra mim.

Tudo isso pra dizer que:

Se eu passei por tudo isso pra viver minha vida do jeito que eu acho que devo, por que eu permaneço com a mania de julgar as decisões de vida das outras pessoas como se elas tivessem que viver como eu vivo?

Eu defendo que todo mundo deve tirar tempo da vida pra se questionar se vive como vive e age como age porque quer, porque acha que deve ou porque mandaram você fazer assim.

Mas se a cidadã ou o cidadão resolveu que aquele jeito que ele vive tá bom pra ele, tá bacana, tá confortável, quem sou eu pra dizer que tá errado? Tenho amigos com estilos de vida completamente diferentes do meu. Estilos de vida parecidos com o que eu já tive e não tenho mais, e que não quero ter de novo por nada nesse mundo. Mas se tá bom pra fulaninha e fulaninho, quem sou eu pra dizer que tá errado.

Eu sou a favor que cada um viva a vida que lhe faz bem e lhe faça sentido. Mas eu preciso me lembrar do que isso significa de tempos em tempos.

Afinal, somos todos seres humanos. Estamos todos no mesmo barco.