A estratégia de comunicação de Dilma pós manifestações de 13 de março

As manifestações massivas dos “verde e amarelo” em todo o Brasil no domingo do 13 de março provocaram uma mudança na estratégia de comunicação da equipe de Dilma, reagindo de forma intensa e estratégica ao movimento pró impeachment e convocando os movimentos mais à esquerda para defender a “democracia”.

A narrativa da convocatória “em defesa da democracia” no 18 de março

Peça de comunicação “Ato em defesa da democracia, dos direitos sociais e contra o golpe”

Após a grande manifestação “verde e amarela” no dia 13 de março os movimentos que defendem a continuidade do atual governo precisavam equiparar a demonstração de força e massificar o movimento pró-governo. Para tal, era preciso criar uma narrativa mais ampla e irrestrita que fosse capaz de superar o foco “pró-governo” e ampliar a base de apoio. A criação da narrativa “em defesa da democracia” foi certeira nesse sentido pois conseguiu conquistar o apoio de muita gente que não defende o governo Dilma mas acredita que esse impeachment é de fato um golpe dos grupos mais conservadores.

Peça de comunicação “Coloque seu bloco na rua pela democracia”

Já nas convocatórias das manifestações do dia 18 de março foi possível perceber algumas peças de comunicação direcionadas aos grupos feministas (com simbologias e cores tradicionalmente usados por esses grupos). Arrisco dizer que essa foi uma resposta sutil, estritamente afirmativa, aos ataques da direta quanto aos machismos demonstrado por Lula nas ligações divulgadas pelo juiz Sérgio Moro. Ou seja, apesar dos ataques que pretendiam dividir a esquerda, os movimentos feministas se colocaram publica e simbolicamente “em defesa da democracia, dos direitos e contra o golpe”.

A tão esperada “guinada à esquerda”

As mobilizações “em defesa da democracia” continuaram após o dia 18 de março, seguindo para uma outra demonstração de força no dia 31 de março, data escolhida estrategicamente com o objetivo de “ocupar” a data do golpe militar de 64. Na manhã do dia seguinte, Dilma desapropria terras para a reforma agrária e decreta a regularização de quilombos, demonstrando a estratégia do governo de organizar atos positivos para a presidenta, a chamada “agenda positiva”. A esquerda parece ter “esquecido” que o ruralismo virou política de Estado e ovacionou a ação como uma “guinada à esquerda”.

Será que realmente acreditamos que isso iria acontecer? De qualquer forma, durou pouco, já que cinco dias após o decreto o TCU paralisou a reforma agrária após identificar 578 mil beneficiários irregulares.

A humanização da presidenta Dilma

A capa da Revista Istoé pegou pesado na desqualificação pessoal de Dilma, afirmando que ela perdeu as “condições emocionais para conduzir o País”. Essa ação infame da revista gerou uma grande onda de apoio à presidenta, principalmente dos movimentos feministas, que acusaram a Istoé de praticar gaslighting (violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz).

A grande reação dos movimentos feministas foi a cereja do bolo para a estratégia de humanização da presidenta Dilma. A resposta novamente foi certeira, investindo na figura feminina e no histórico de superação que ela teve em sua vida.

No dia 7 de abril Dilma recebeu no Palácio do Planalto uma reunião de mulheres em “defesa da democracia, que repudiam o machismo e a misoginia, com diversas representantes dos movimentos feministas do Brasil e saiu fortalecida. Em sua página de Facebook, logo após o encontro, escreveu uma mensagem que me lembrou muito o tom emocional das eleições presidenciais e, claro, foi a postagem da presidenta que mais viralizou pela internet.