Relato masculino do #primeiroassédio

Demorei para escrever sobre o assunto, mas aqui vai minha declaração sobre o ‪#‎primeiroassédio‬:

Primeiramente pensei em escrever sobre o meu primeiro assédio. Aquele que em que fui o assediador, claro. Foram incontáveis os momentos que me recordo de ter falado algo para alguma mulher e hoje compreendo e reconheço como assédio. Após muita reflexão decidi não compartilhar uma experiência específica, pois ela não dá conta da realidade. Então trago uma outra reflexão, mais ampla, sobre o papel do homem nessa história.

Tive uma ótima educação. Escola construtivista, pais professores, amigos e familiares super educados. Falar palavrão sempre foi um ato recriminado. Olhar as mulheres não. Seguindo a fluxo natural do amadurecimento de um adolescente, ao chegar aos 20 anos de idade eu já deveria estar próximo ao meu centésimo assédio. Quando comecei a me dar conta do que era assédio eu já colecionava uma lista grande de mulheres que, por algum motivo, se sentiram ameaçadas por minhas atitudes. Hoje, apesar de conviver, ler e debater sobre o tema, não me engano: continuo sendo um assediador em potencial. Todos os homens são. Você também. Seu pai, meu pai, nossos tios, primos e amigos. Todos já assediamos e, se não prestarmos muita atenção, faremos novamente.

O mais de 100 mil relatos são apenas uma ínfima parte da realidade. São apenas o primeiro assédio. Não é possível quantificar quantos assédios uma mulher sofre durante sua vida. Nós, homens, temos uma obrigação. Um dever. Pensar 10 vezes antes falar algo. Pensar 50 vezes antes de agir. A moça tem o direito de não sofrer abuso. E nós temos o dever de não abusar.