Precisamos falar de amor!
Nós precisamos urgentemente falar de amor. Clarice certa vez escreveu:
“…tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo.”
Precisamos falar sobre esse amor que salva vidas, sobre o amor que edifica e solidifica relações, a mais íntima forma de amar: o amor próprio. O amor que nos ama, o que está certo. Vivemos hoje uma inversão do direcionamento do que pensamos ser o amor. Frustramos se não somos correspondidos de qualquer maneira, a vida não faz tanto sentido a ponto de alguns não mais fazerem questão de vivê-la. Há um estado sombrio de infelicidade e uma certa tristeza que ronda muito mais pessoas do que imaginamos, e que muitas das vezes estão bem do nosso lado. Os sinais não são claros e é difícil perceber que algo não vai bem por trás de um sorriso irreal.
Eu resolvi fazer um experimento um tanto incomum essa semana. Queria falar com estranhos, perguntar, ir a fundo, extrair o que as pessoas talvez nunca pararam para pensar ou fogem das respostas. Descobri no celular uma plataforma onde se inicia um chat completamente anônimo, não se sabe a identidade daquelas letras que vão surgindo na janela. Obvio que a motivação de 90% das pessoas que respondiam era buscar uma espécie estranha de sexo escrito. Minhas perguntas iniciais variavam entre: “Qual o sentido da vida?” e “Qual origem da vida?”. A resposta mais comum: “a vida não tem sentido” ou “é uma pergunta sem resposta”. Apenas uma resposta me chamou atenção: “a origem da vida é como a margem do universo”. Estou até agora me perguntando o que seria o limite, a margem do universo, talvez seja uma noção interessante da Divindade como princípio e fim. Enfim, o fato é que a grande maioria vive sem ter um significado, ali buscando uma satisfação virtual completamente subjetiva e abstrata, buscando um prazer aonde ás palavras só vão levar a si eles mesmos, não há nada mais além de palavras naquela tela estimulando a imaginação de uma mente, por vezes em dificuldades.

A falta de um significado para a vida é um dos maiores reflexos da falta de amor próprio. A aceitação e a passividade da permanecia de um relacionamento abusivo seja qual for, o não conseguir relacionar-se, a falta de presença humana mesmo que de amigos, a dificuldade de ser senhor da própria da vida ou mesmo decidir por importantes mudanças daquilo que nos sufoca como o ambiente hostil de um emprego não mais desejável; o desejo de que a vida acabe logo; Tudo isso se resume a diagnóstico: falta amor. Amor próprio. Se eu não me amo, eu sou incapaz de amar o outro. Nós jamais conseguiremos dar aquilo que não temos. Eu vou simplesmente projetar no outro aquilo que falta para que eu tenha meu próprio amor. E é iminente a frustração, pois o outro por mais amor que ele possa te oferecer, ele jamais vai conseguir preencher aquilo que é algo que deve partir de mim mesmo. Não há super herói do Eu, Eu sou o herói da minha vida e mesmo assim não devo esperar ser um super. A mesma coisa acontece com coisas banais como ser grato a algo positivo que tenha acontecido a nós, pois amor também reside na gratidão, e seu não tenho pela minha vida não vou conseguir ser grato a nada. Amar também é dar atenção, é se importar, é perceber a presença do outro e de alguma maneira entender que somos interdependentes de sentimentos .O amor vibra, é como onda sonora que parte de um ponto e pode ser percebido em outro.
Se te falta o amor, quero propor algo simples. Antes de dormir feche os olhos e fique um tempo com você mesmo, converse com o que há dentro de você. Imagine que uma chama tal qual uma vela de acende dentro de você. Algo pode mudar, a antiga sabedoria diz que: conhece a ti mesmo e conhecerá o universo e os deuses. Diz também que Deus é amor. A melhor maneira de conhecer alguém é conversando com essa pessoa. Converse contigo. Se ame, é o que está certo.

