Espiando pela fechadura

Tullio Andrade
Aug 31, 2018 · 2 min read

Quem nunca se perguntou por que é que uma mulher nunca vai sozinha ao banheiro? Até hoje nem os maiores cientistas, filósofos ou malucos conseguiram chegar perto da resposta. Um dos maiores mistérios da humanidade; eu diria até o maior. Perto disso até o processo de construção das pirâmides é coisa banal.

Especulações à parte, o fato é que se você está num barzinho com outro casal batendo aquele papo descontraído e de repente surgem assuntos que incomodam uma das duas mulheres, parece que existe um código secreto e universal (só para o universo feminino, é claro) que a outra percebe a raiva da amiga; e sem precisarem trocar nem uma única palavra, elas se levantam e dizem: “vamos ao toalete retocar a maquiagem”.

Cuidado! Sua noite acabou.

Imagino o que é que elas combinam ou, maquiavelicamente, arquitetam dentro daqueles poucos metros quadrados… Particularmente eu tenho uma teoria. Acho que o banheiro feminino na verdade é uma zona perdida nas entrelinhas da relação espaço-tempo, uma espécie de vácuo interdimensional, no qual elas entram para poderem recarregar suas energias e voltarem para a mesa do bar com mais força para dizimar com um simples olhar radioativo os homens ali presentes.

Já um amigo meu, acredita que o banheiro feminino é um verdadeiro Quartel General, no qual, ao simples toque de um botão, o espelho se transforma num avançado computador de guerra, os assentos sanitários em cabines de monitoramento e simulação virtual, os batons e maquiagens viram armas poderosas e os perfumes em soníferos ou qualquer outra substância tóxica que hipnotizem os homens, para que possam arrancar deles todo tipo de informação.

Eu sei, parece exagerado… Mas o fato é que desde criança sempre me seduziu a fechadura do banheiro feminino. Mas todas as vezes que eu me aprontava para espiar, sempre aparecia alguém… (uma mulher, é claro!). Eu era criança e nunca tinha me dado conta. Mas eram as vigilantes, sempre de prontidão para resguardar a inviolabilidade do banheiro. Já fui pego por minha mãe, pela professora, pela minha tia chata… E algumas semanas atrás até pela garçonete. Não se trata de nenhuma tara ou perversão de adolescente mal curada. É muito mais que isso. Trata-se da tentativa de desvenda um mistério da humanidade… afinal, não se sabe o que pode ser visto lá; desde a bunda pelancuda de uma tia velha à destruição completa do universo.

Então, é melhor não arriscar. E que Deus tenha piedade de nossas almas.

Tullio Andrade

Escritor viciado em fechaduras


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e vamos bater um papo…

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