
Eu confesso: sou preconceituoso!
Sei que é errado demais julgar qualquer pessoa (ou qualquer coisa) previamente. Mas não posso ser hipócrita. Acho que preciso evoluir um pouco mais para poder ver e ouvir certas coisas que ainda me embrulham o estômago.
Certas condutas que, embora eu me julgue uma pessoa de mente aberta, não consigo admitir. Sei lá. Acho que existem coisas que cada um deve guardar na sua privacidade; e não sair abrindo assim para todo mundo ver. Quando eu ouvia falar dessas coisas, eu até dizia que “não tenho nada contra”, mas a verdade é que me incomodo sim. E tenho, sim, muita coisa contra! Na verdade, esse tipo de absurdo não deveria, em hipótese alguma, ser tratada como normal, ou natural, ou qualquer outra coisa dessas de “aceitação social”.
Antes que me crucifiquem, me permitam contar os fatos, para que vocês possam tirar suas próprias conclusões.
Esse lance de gostar de ler e escrever sempre abre espaço para as pessoas puxarem conversa… E o mais engraçado é que mutias delas falam com você querendo demonstrar algum tipo de erudição (mesmo que não tenham). Mera ilusão. Porque eu tô mais para mais um ignorante com ritmo de leitura, do que um intelectual com um grande nível cultural. Mas isso é assunto para outro momento.
O fato é que estamos num papo entre amigos e uma garota, que conheci naquele dia, começou a falar sobre livros. Acho que queria se enturmar… Ou então foi alguma tentativa de paquera que, para variar, eu não entendi. Ela falou que adorava livros, que ler era uma coisa ótima e que todo mundo deveria ler mais. Esses clichês que todos nós falamos (da boca pra fora). Mas depois de poucos minutos de citações de livros e autores que gosto (porque sempre falo demais quando o tema é literatura), eis a revelação!
Fiquei arrasado. Porque até que parecia que o papo ia fluir bem. Só que descobrir que ela era… “assim”. Sei lá… Esse tipo de gente, sabe. Inadmissível! Absurdo! Como falei no começo, essas coisas não deveriam ser tratadas como “normal” no contexto social.
Foi aí que deixei meu preconceito aflorar. Não me orgulho disso; mas, de verdade, também não sei se devo me envergonhar. Porque quando perguntei o que ele gostava de ler, a resposta foi “Crepúsculo”.
(…)
Tive que fazer uma pausa dramática aqui. Mas tenham calma. Não vou falar mal do livro. Embora não seja o tipo de leitura que eu gosto, não é intenção (agora) tecer críticas sobre a autora. O problema, portanto, não foi esse…
Engoli minhas predileções literárias e tentei desenrolar aquela conversa; afinal, eu tento entender porque que as pessoas gostam de determinados tipos de literatura. Busco entender essa relação íntima que cada um tem com os livros e tudo mais. É tipo um laboratório, um aprendizado. E para quem escreve, isso é fundamental. Então comentei:
- Legal. Você leu toda a coleção? Tem um predileto? Na verdade, tenho curiosidade de ler para saber porque fez tanto sucesso.
A resposta dela:
- Ah, o livro eu não li. Eu vi o filme.
Escritor que, nessas horas, é muito preconceituoso
Se gostou, aplaude aí….
e vamos bater um papo…