
O seu rebolado é mais que um poema…
Só agora entendi a profundidade desses versos. Agora, depois que tive a felicidade indescritível de saciar meus olhos e minhas veleidades mais absurdas e infames com o deslumbramento magnífico e ritmado daquele quadril deslizando docemente de um lado para outro…
Não sei explicar esses paradoxos existenciais em que o tempo e o espaço conseguem se embaralhar de uma forma tão surreal que nos absorve para uma estática transcendental e nos priva de todos as formas de mensuração de sensações, só para que possamos nos concentrar naquele único e indescritivelmente belo bailar de glúteos arredondados.
Meus olhos não conseguem (e nem querem) se desvencilhar dessa prisão sensorial e deliciosamente hipnótica. Eles perseguem atentamente de um lado para outro cada milímetro daqueles movimentos sinuosos e desleixadamente sensuais.
A cada passo é possível sentir a suavidade do tecido branco do seu vestido curto deslizando sobre a maciez daquela musculatura rígida, entrecortada por finas linhas que delimitam a estreita lingerie que ela usa. E graciosamente deixo que as ondas sísmicas, micro-ondas sísmicas, se espalhem pelos meus sentidos roubados quando cada nádega vibra com o toque de seus sapatos no chão. Não são ondas fluídas, como uma superfície semissólida… São vibrações impávidas, rijas, fortes… mas, ao mesmo tempo, delicadas, suaves e lascivas.
Certa vez ouvi dizer que o círculo é o símbolo geométrico que representa a perfeição. Bom, não sou matemático, mas discordo totalmente. E desafio qualquer um a calcular maior perfeição do que aquele rebolado. Seja em forma, ritmo e leveza. Não é apenas um círculo perfeito, mas dois… Duas superfícies circulares, imponentes, altivas e sinuosas.
E o curto corredor que leva minha sala até o cafezinho se multiplica… e o tempo se perde em sua própria existência. Para quê o tempo?! Como num moto-contínuo infinito e redundantemente repetitivo, eu pareço sentir os relógios girarem acelerados e o tempo se perder em si mesmo ao contemplar aqueles poucos vinte passos de distância até o café. E nem percebo (e nem me importo com) os olhares dos outros colegas de trabalho entre risos ao me verem extasiado e ridiculamente vidrado naquele doce balanço.
Mas o corredor acaba… Tudo um dia caba. E eu volto para a minha realidade. E como o poeta, eu lembro que “estou tão sozinho”, então só me resta cantar: “Ah, se ela soubesse / Que quando ela passa / O mundo inteirinho se enche de graça / E fica mais lindo / Por causa…
…dessa bunda.
Escritor cujo olhar vai de um lado para ou outro
Se gostou, aplaude aí….
e vamos bater um papo…