Rio Amazonas

Como nunca estive no Rio Amazonas, não sei que profundidade ele tem. Não sei se é possível mergulhar o corpo todo e juntar as mãos sob a cabeça fingindo ser um tubarão enquanto nado pra te alcançar na borda ou se resta apenas atravessar de uma margem à outra resignado em refrescar só do dedo mindinho até o peito do pé. Se tem pedras no fundo, se mastiga areia, se tem compasso de velho, se é possível fotografá-lo sem flash, não sei não. Posso descobrir isso tudo no trigésimo quarto encontro anual de geógrafos naturais da Amazônia ou em dois minutos na internet, mas de qualquer forma isso é o que eles dizem e não uma semana de férias num barco contigo. Se a terra for mesmo redonda, é um pedaço do céu cortado no meio e de cabeça pra baixo. E se for mesmo sair da raia é importante saber que todo casco de barco é feito de madeira, resina e lamento de peixe desavisado que acaba sendo arrastado pro fundo. As coisas são assim e dentro de um rio famoso como o Amazonas deve morar um universo inteiro, mesmo sendo tudo água doce e eu não sabendo de verdade se ele é encovado ou caudaloso. Pessoalmente sempre preferi o mar que todo mundo sabe que é salgado e temperamental, que quando quer engole vento, mas se está mal humorado derruba tudo que está firme pela frente. Acho que pra ser honesto, por enquanto vamos assim; confia no teu santo que eu confio no meu.

O universo não disponibilizou uma grande carta hidrográfica quando você chegou, mas eu sei bem o que significa você sorrir e deve ser bom lá no meio do rio né. Eu acho que deve ser bom.

(21/11/2016)

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