Da “inocência” do Kind Girls ao tarado enjaulado dentro de cada um

IMG: http://cellar-fcp.deviantart.com/art/Holy-Girls-471892589

(todo texto sublinhado tem link para outra matéria. Não deixem de conferir ;)

Faz um tempo que estou enrolando para finalizar esse post que inflamou com aquele assunto de um bando de pervertido falarem sobre Valentina, a participante do Masterchef J U N I O R. Só o que era inflamação explodiu e escorreu o pus em na minha cabeça ao refletir sobre as coisas que acontecem ao meu (ao seu, ao nosso) redor. Basta esfregar o olho para enxergar.

A cultura da pedofilia, do estupro, de pessoas tratadas como objetos é um assunto latente na sociedade desde sempre e muito camuflado e protegido pelo mal-caratismo de muitos que justificam sua escrotísse com argumentos do tipo: “é instinto”.

Não! Não é instindo um padastro estuprar uma menina de 11 anos e achar que está tudo normal. Não é instinto a jornalista da matéria tratar ESTRUPO como “encontro amoroso”, “sexo entre pessoas” e “relações” E AINDA indiretamente culpar a mãe da menina por não estar a par do que esse ANIMAL ESCROTO fazia dentro de casa. Instinto mesmo foi o de sobrevivência de Juliene Katayama - a jornalista da matéria - ao correr para alterar descaradamente toda matéria onde floreou o estuprador.

Mas como não bastasse, vamos escancarar o quanto isso é “normal” colocando na REDE GLOBO, a “rede televisão da família brasileira”, as atitudes de um típico TARADO que assumiu na frente das cameras do #BBB16 ser o que é:

“Gosto de uma novinha. O problema é que para mim só aparecem novinhas mesmo, tipo 17, 18, 20 anos. É natural uma mulher de 21 anos nunca ter beijado um cara de 21 também. Mulher gosta de homem mais velho e homem gosta de mulher mais jovem” - Laércio, BBB16 | fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/bbb-16-ana-paula-fala-mal-de-laercio-velho-nojento-pedofilo-18579333#ixzz3z1b5zfEy

E não contente com o ESTRAGO, o apresentador do programa ainda romantiza as atitudes do cara!!!

“Você que apesar da cara de vilão, quer ser um homem bom. Você é quem não vê cara, não vê coração. Você que prometeu ser o vilão e cumpriu o muito pelo contrário. Você que dorme de cuecas, já que não pode dormir nu como de costume. Você e suas Lolitas, suas Anitas e a maioridade. Você e sua idade. Você que passa do ponto. Você e pronto. Vem para cá, Laércio!” - Bial sobre Laércio, BBB16 | fonte: http://gente.ig.com.br/2016-02-03/bial-romantiza-pedofilia-e-estupro-em-discurso-e-revolta-redes-sociais.html

Antes que me perguntem se eu não tenho nada melhor pra fazer se não assistir a esse lixo de programa: sim, eu tenho e não dispenso existência com essa porcaria de programação. Tomei conhecimento desse fato escroto pelas redes sociais onde até o Sensacionalista - que não leva nada a sério - resolveu dedicar um post mostrando o quanto o caso é nojeto e surreal ( http://sensacionalista.uol.com.br/2016/02/02/as-9-coisas-mais-bizarras-do-facebook-do-bbb-laercio/ ).


Da punhetazinha “inocente” escondidas ao ato efetivado…

Terry Crews fez um desabafo DE HOMEM (afinal, não basta ter colhões, e sim caráter para assumir seu “Dirty Little Secret”, enfrentá-los e aniquila-los!) sobre o que a pornografia causou em sua vida quando cultivava sua versão “macho espertão” https://www.facebook.com/realterrycrews/videos/1083942814959410/

Não faz muito tempo que iniciei uma conversa com uma amiga onde pautavamos exatamente sobre comportamentos doentios e extremamente machistas considerados normais em nossa sociedade com o pretexto de que agir como deliquente é justificável como algo “natural”, “do instinto”.

Já disse e repito: quer ser selvagem? Animal? Agir por instinto? Já que seu cérebro não evoluiu do tempo das cavernas, vá morar no meio do mato, longe das regalias da civilização e tecnologia, vá caçar sua comiga e cagar de cócoras! Aí sim você está ao seu natural!

Nossa conversa começou com assuntos ligados à espiritualidade e sexualidade e o quanto o mal uso disso é capaz de produzir rombos em relacionamentos e espiritualmente. Um assunto deep demais para colocarmos aqui no meio, o que faríamos perder o foco inicial da conversa (quem sabe em um outro post longe dessa nojeira aqui apresentada).

Nessa começamos a compartilhar textos sobre o assunto que buscam mostrar muito além da servidão e submissão de mulheres que gemem surrealmente, única e exclusivamente em nome do prazer masculino. Um úniverso fake criado para manter a mentalidade na animalidade, alimentar as frustração masculinas por não saberem lidar com pessoas que tem sentimentos e hormônios tanto quanto (se não mais que) os deles e a falta de respeito com todas as mulheres em seu entorno, tratando-as como um mero pedaço de carne a ser devorado (ou estocado, vai que, néam…). Antes que você, macho bem criado por essa cultura animalesca, venha mijar aqui nesse poste e se entitular DIFERENTÃO, EDIÇÃO LIMITADA DO CARÁTER, AVATAR, O EVOLUÍDO, sugiro ler esse artigo ótimo de Maria Gabriela Saldanha e reflita o quanto você tem se comportado como um asqueroso e nem se liga disso (ou simplesmente ignora): O que homens não pedófilos têm a ver com pedofilia?

Aqui começamos a cutucar o vespeiro da vergonha e do “parem o mundo que eu quero descer!”. Trata-se de uma cultura enraizada e passada com orgulho de geração em geração masculina de que ser um tarado-escroto-pedófilo é sinônimo ser MAAAAACHO! E sim, você sem dúvida está rodeada de caras que cultivam isso e acham tudo muito normal.

Um exemplo simples: sempre trabalhei rodeada de homens. Antes que falem que trata-se de prostituição, diria que é quase isso, afinal trata-se do departamento de criação de agencias de publicidade onde geralmente 90% são homens e sim, sacrifica-se muito a equipe para manter cliente dentro da agencia. Chega a ser engraçado de como o ser humano consegue se transformar quando está junto de pessoas do mesmo sexo. No caso, lá na criação, a “macharada” se reunia em volta de um único computador ao acessarem o site Kind Girls e começava o ritual da escrotísse: nossa! Olha essa! Novinha delícia! Vish!

MANO! EU, MULHER, ESTAVA NO MESMO AMBIENTE E LÁ ESTAVAM OS CARAS! Isso já me deixou com o capiroto virado no corpo: uma pelo desrespeito a minha figura; duas pela pornografia em si que sempre a mulher é tratada como objeto usável e descartável, única e exclusivamente criada para servir os prazeres do homem; e três porque aquilo era ambiente de tra-ba-lho! Imagina como se referiam a mim e as outras mulheres da agencia! Mas o buraco ficou mais embaixo ainda quando eu vi o fucking site: trata-se de um “cardápio” para alimentar o “desejo animal” “dos macho” com as mais variadas fotos de ga-ro-tas que não aparentam ter mais de 22 (VIN-TE E DO-IS) anos (ISSO MESMO! E o mais novo dos chacais ali reunidos deveria ter 35 fucking anos!!!): de todos os tipos, etnias, poses, etc. Tudo com fotos bem pensadas, iluminação clean e nada daquelas selfies caseiras feitas por qualquer cabaço com um smartphone em punho. Um mercado de pedofilia e exploração sexual feminina muito bem estruturado e, pelo que INFELIZMENTE vi ali e fora da agencia (e até mais perto do que imaginava), com muuuuuuuitos clientes “de bem”, “de respeito”, “cristãos”, “de família”.

Quero aproveitar e recomendar o atigo ótimo de Carol Woityla: Como a pornografia cria o cliente, onde ela escavou profundamente como o mercado da pornografia mantem essa gente viciada em sua rede como um bando de boi sendo pastoriado (e sim, muito bem monitorado, meu queridinho! Confira aqui), enquanto eles acham que são livres cultivando e alimentando seus dirty little secret pelas costas das pessoas ao seu redor, mal sabem o quanto adestrados e viciados foram (e continuam) desde pequenos a alimentar esse mercado bilionário.


Outro assunto que eu e essa amiga discutimos foi sobre o documentário disponível no Netflix, “Hot Girls Wanted, que mostra a vida de algumas atrizes de filme pornô (os amadores mais especificamente). Mostram alguns detalhes de como as meninas (sim! Meninas) entram para o mercado; das promessas de muito dinheiro fácil, vida boa que vendem pra elas se tornarem atrizes pornôs e da real subvida que levam amontoadas em uma única casa; das situações que elas são submetidas em cena para conseguirem “um cachê melhor” e, sem dúvida, das cenas onde atuam com um velhão pirocudo que, no contexto da história, é o amigo do pai da menina, vai lá e “mostra como é que se faz” para a garotinha.

“É melhor que o cara veja alguém fazer isso do que fazer isso com uma menina na rua.” - palavra de uma das meninas do documentário…

“Normal” educar sexualmente “os macho” dessa forma! “Normal” você ficar se excitando ao ver uma garota MUITO MAIS NOVA que você! “Normal” você cruzar com elas na rua ou no transporte público e achar que elas estão querendo alguma coisa só porque estão de vestido ou shorts curto! “Super normal” correr o risco de colocar dentro da sua casa, no meio da sua família, um chacal desse que fala que é “natural/normal/do instinto” ter esse tipo de postura doentia ou ser cliente desse tipo de mercado! “É natural” ostentar isso na internet, na televisão, nas revistas…

Vide a playboy que foi relançada com uma modelo (Sarah McDaniel) que descaradamente aparenta ter menos de 20 anos, porque “é normal” continuar com a cultura de novinhas, agelicais, disponíveis, caladas e eternamente jovens para te mandar nude quando você, “machão”, quiser!

“Na nova Playboy, a mulher não será objeto de nudez (ha!), ela terá voz na revista e suas histórias de vida serão valorizadas A nudez irá sempre existir, o que muda é o tom e o olhar sobre essa estrela…” | fonte: http://www.adnews.com.br/midia/playboy-e-relancada-hoje-e-sem-nudez-na-capa

Mudou bastante, Playboy! Tanto que o nome continua o mesmo: vai lá, brinca menino, trata como brinqueto aquilo que é tão humana quanto você, quanto a sua irmã, mãe e filha!

#PrimeiroAssedio

Ao lançarem a campanha do #PrimeiroAssedio me deparei com um monte de depoimento em minha time line: foram tantas meninas, garotas e mulheres tocando no assunto pela primeira vez que me fez desenterrar dois casos absurdamente escrotos que aconteceram em minha infância e adolescencia e dos quais eu tinha colocado no arquivo do desprezo dentro da memória:

1º assédio marcante: eramos um bando de crianças e, naquela época, era super tranquilo brincar de bola no meio da rua. Na rua de cima da minha casa, três quadras mais pra frente, havia um boteco onde um velho (VE-LHO! Na época deveria ter já seu 50 e poucos) que sempre passava em minha rua, quase que habitava. Esse mesmo velho, cada vez que passava na rua, secava todas as meninas de cima a baixo e só faltava babar. Nós deveríamos ter em torno de 10 a 12 anos de idade! Um belo dia aquilo me irritou e mandei o velho tomar no meio do olho do (__*__) dele! Lógico, fui chamada de malcriada…
Anos depois de ter mudado dali, aos meus 20 e tantos anos, grande o suficiente pra no mínimo fazer um escândalo, estava à pé na região e eis que me deparo com o mesmo velho, fazendo o mesmo caminho, indo para o mesmo boteco. Cruzamos o caminho, porém ele não me reconheceu e nem ousou lançar aquele olhar putrefato que ele jogava pra cima de mim e minhas amigas quando éramos crianças. A recordação veio como um soco no meio da minha cara e a lembrança do gosto “por novinhas” dele acelerou meus batimentos cardíacos. Sem pensar duas vezes, voltei o caminho que estava fazendo, fui atrás daquele pedófilo escroto, entrei no mesmo bar que ele entrará, fiz questão de sentar do seu ladiiiiiinho, junto ao balcão.
- Jão! Me vê a mesma! - disse ele para o cara atrás do balcão, mostrando que era sim o mesmo cliente antigo.
- E você, moça? - disse o cara do balcão.
- Água, por favor. - e fiquei ali, olhando reto para a cara do tarado que começou a se incomodar com minha atitude.
As bebidas foram servidas, paguei minha água e antes de levantar questionei o velho: - Tu não lembra de mim mesmo? Sério? Ou você não me encara porque agora tenho tamanho suficiente pra carimbar sua cara no asfalto, seu pedófilo escroto?
Eu seeeeeeeeiiiiii que ele lembrou! Aquela expressão de choque não foi só pelo adjetivo! Eu vi naquela cara chupada que o diabo há de fazer tapete! Mas ele preferiu me chamar de louca, de doida varrida, que jamais me viu na vida!
- Se eu te ver olhando pra qualquer criança ou adolescente na rua, juro faço sim você lembrar da minha cara pelo resto dos seus poucos dias!

Sim! Tive meu momento de revanche! Um momento que jamais pensei em passar na vida! Um momento que jamais planejei que acontecesse. E não, não foi um momento de glória, apenas de ressuscitação de um sentimento de asco e desprezo que eu sentia quando era pequena e não sabia ao certo do que se tratava. Mas aconteceu! Eu nunca mais vi aquela hiena em lugar algum e rezo para que ele tenha ficado apenas no nível do olhar e, apesar da fome que olhava crianças, nunca tenha efetivado o ato em si!

2º assédio marcante: estávamos eu e minha irmã (eu deveria estar com 15/16 anos e ela 12/13) voltando para a quemesse da i g r e j a próxima de casa. Um evento familiar e cheio de crianças e adolescentes. Ao viramos uma rua escura próxima do local, logo atrás de uma caçamba de entulho, um cara num carro parado disse: - Hey! Pode me dar uma ajuda?
Quando me aproximei do carro para ajuda-lo (tolinha!), ele estava sem calças e se masturbando pra DUAS ME-NO-RES!!!!! 
- MANA! CORRE!
Ela sem entender nada deu uma paralizada e eu gritei mais alto ainda: - CORRE!!!
Ela saiu que nem um tiro rua abaixo olhando desesperada para trás vendo se eu vinha na sequencia. Ao mandar o cara para o inferno, peguei o primeiro pedregulho da caçamba e sai correndo na sequencia enquanto ele gritava “ESPERAÍ!” e ligava o carro. Saímos correndo como nenhuma maratonista era capaz de acompanhar. Avistei um casal (que caiu do céu! Só pode!) e gritei lá de trás para minha irmã parar neles e pedir socorro! O casal ficou assustado com a situação e assim que cheguei esbaforida na sequencia, consegui esclarecer rapidamente o que havia ocorrido (enquanto minha irmã estava em choque). O cara do carro estava atrás de nós, mas cantou pneu quando viu que conseguimos abrigo.


Não! Isso não são histórias fictícias. São vivências próprias das quais achei super adequado apresentar aqui nesse post sobre pornografia, pedofilia, sobre essa cultura doentia de que é normal tratar crianças, adolescentes e mulheres como objetos ou meros pedaços de carnes prontos para o abate.

E antes que você ache que fui “premiada”, muito engana-se: milhares de mulheres sofrem algum tipo de assédio sexual e, infelizmente, tudo continua escondendo-se atrás do “é normal”, “é natural”. Demônios e esfinges mentais são cultivadas no plano mental com pessoas que consomem e alimentam esse tipo de mercado sujo e sim, uma hora você não vai controlar e lá estará você usando o mesmo argumento de que é “instinto/normal/natural” agir como um delinquente!

Vai aqui um convite pra você, “macho”, se tornar homem refletindo sobre o seu vício, rever seus conceitos, sobre essa cultura escrota que você alimenta brincando sozinho no banheiro e achando que ninguém está vendo e assistindo a sua transformação.

E antes que se ache o espertão por fazer isso longe dos olhos de todos, sim, as esfinges mentais que você alimenta mudam seu pensamento, consequentemente suas atitudes e vontades. E não, você não é nada inteligênte ou esperto por ser um escroto!