todo o tempo e mais um dia
eu não sei que estou quebrado até que eu assumo que estou quebrado. é como cutucar um vespeiro, aparentemente pacífico, mas você sabe que as vespas estão lá. à noite eu deambulo por lugares que em algum momento da história eu propositalmente escolhi esquecer — ou alquimiei esquecer. É quando eu simplesmente peço pelo dia. na luz eu me rodeio de pessoas reais, ao menos no sentido material da palavra. a claridade mostra o pior, ainda sim, mais aceitável que o escuro da minha cabeça. infiro que errar é jovem, até humano, mas porque o impasse em perdoar os meus próprios erros? eu preciso errar para enfim acertar? quantas vezes eu terei que sentir a falha? me arrependo de coisas que nem fiz, mas eu realmente queria isso antes de perceber que nunca teria? ou eu contentemente assumi que as coisas assim seriam? acho que nunca tive a chance de me fazer as perguntas certas, ou talvez ainda não saiba o que é certo. eu repito que preciso de tempo, mas apresso o passo para chegar no destino. talvez precisarei de todo o tempo e mais um dia, até que eu verdadeiramente lembre e mesmo assim, tenha esquecido.
