o que era para ser poesia.

o que era para ser poesia,

já não é mais. são palavras escritas de qualquer jeito. às vezes são escritas no calor do momento, na tristeza, euforia ou até mesmo em momentos de felicidade. quando você fica feliz por estar vivo. eu confesso que não tenho esses momentos há muito tempo. eu ando me afogando na densidade do meu cansaço. escrever era como desabafar; colocar para fora. eu ando me esquecendo. perdendo pedaços de mim. da minha personalidade, do meu ser, da minha áurea. eu estou esquecendo de quem eu realmente sou. estou me transformando, me tornando outra pessoa. se meu antigo eu irá gostar dessa nova pessoa, eu acredito que não. escrever era como epinefrina na minha corrente sanguínea em momentos de perigo. escrever é como um refúgio. como um farol, uma luz no fim do túnel. talvez até como quando ficamos muito tempo sem respirar de baixo d’água, e voltamos para superfície ofegantes. escrever é o primeiro suspiro de ar.


esquecer quem você é pode ser como um tiro no peito. quando você esquece quem você é, não tem volta — você morre, por completo. quando você esquece quem você foi, você perde a lição. você perde a conclusão dos seus erros. você esquece do seu passado.

mas quando você esquece do presente, você desaparece. só ficam sobras de você. eu torço para que os resquícios de quem eu sou consigam reavivar o resto. eu estou tão perdida. eu lembro de que, em algum dia, eu fui tão agradecida por ter minha vida. agora, eu apenas queria não ter nascido. viver dói.

eu estou no fundo do oceano. eu estou gritando. gritando por ajuda. mas ninguém realmente se importa. o resto de ar que estava em mim, já foi gritado.

o que era para ser poesia, foi embora.

junto com o último grito.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.