Give me love.

Gosto de te tocar despretensiosamente, sem te deixar saber que eu calculei cada movimento pra que não fosse nem ordinário, nem abusado demais. Gosto da transição do Inverno pra Primavera, que é quando você deixa de se cobrir e passa a mostrar sua pele, e me deixa descobrir um pouco mais do seu corpo. Queria saber te intrigar e te fazer pedir mais, assim como você faz. Te mostrar que por trás dos livros que carrego, existe uma personagem que poucas obras literárias ousaram descrever. 
Tenho saudade da tua voz, da tua risada e da sua sobrancelha que fica arqueada quando você fica chocado com alguma frase — boa ou ruim — minha. Gosto do modo como seus dentes se tocam e pode parecer estranho, mas eles fazem um som e um movimento tão únicos, que me prenderam a atenção. Tua cara de menino doce e tuas palavras de homem maduro me deixam perdida em meio a tanta contradição. Sinto saudade da tua cara amassada num sábado de manhã, e ciúme da sua sexta a noite, principalmente pelo fato de tão ter sido parte dela. Anseio pelo dia em que a realidade vai superar todas as expectativas, ou pelo menos parte do que minha imaginação insiste em criar. Que a partir de agora, minhas manhãs possam ser chamadas de nossas, e eu possa te ver ir de lento e preguiçoso pra rápido e preguiçoso. Que eu possa ser a voz daquela música que você aprendeu a tocar no violão, e cantar mais alto a parte em que te peço amor. E que todas as músicas sejam nossas músicas. Que eu roube seus moletons, seu tempo, seu ouvido e todo seu juízo. Que o fundo dos meus olhos seja o mais raso que você vê dentro de mim, e que te instigue a explorar o que nem eu tenho conhecimento. Que o seu toque não seja mais de amigo, e ouse encontrar partes do meu corpo que não devem ser vistas. Que você me desmanche, me rasgue, me estilhace, mas me faça feliz. Me faça parte de ti. E que entre dois pulmões, respiremos um só ar.

j a n/2 0 1 4

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