Repassando.

No 1, eu não sabia de nada. O primeiro amor a gente escolhe errado. Não foi nem meu namorado, mas me fez entender que um coração pode desacelerar por alguém. E acelerar. Nem bom, nem ruim. Hoje não trocamos de calçada quando nos encontramos e nos abraçamos ternamente. Nunca teve som. Saldo positivo.

No 2, eu precisava de alguém. Eu te pedi pra ficar, mas você nunca veio. Te perguntei se ia enjoar, você jurou que não. Enjoou. Me machucou. Disse que queria voltar. Não veio novamente. Me trocou. Uma. Duas. Veio pela segunda. Disse que queria me ver. Foi embora. Levou com você toda minha confiança. E todas aquelas músicas que eram nossa trilha sonora, que era só minha trilha sonora. Quando aparece, toca Bidê ou Balde por aqui. Estaca zero.

No 3, eu me convenci. Não era nada, mas aí começou a ser. E de tanto todo mundo dizer, eu achei que seria certo se fosse. Foi só brincadeira. Só daqui. Você nem percebeu. E quando eu tava indo embora, você disse que foi bom me conhecer. E depois disse que gostaria que eu fosse algo mais. Não assim. Talvez nem tenha dito. Mas eu preferi entender que disse. Reapareceu depois, cheio de sorrisos e abraços. Cantando a mesma música que eu, pelo mesmo motivo que eu. Com outra do lado. Menos um.

No 4, eu não sei. Repasso cada momento pra tentar entender o caminho que as coisas tomam. Não sei se era pra ser meu. Pra ser eu. Acho que sim. Acho que não. Começou tudo bem e ficou tudo bem. E aí ficou mais bem. E aí ficou. Ficou tudo muito bem. Muito bem mesmo. E aí ficou. E foi ficando. E às vezes ainda fica bem. Agora há pouco mesmo, tava tudo bem. Mas eu ainda não sei. Já foi sinfonia e silêncio. Não sei se soma ou subtrai.

m a i/2 0 1 4

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