Te vejo tão bonito.

Vi seu cabelo crescer, a armação do seu óculos quebrar e seu tênis favorito descolar a sola. Te vi comprar seu primeiro carro, tirar sua carteira e desistir de dirigir. Bem nessa ordem. Vi você trocar de namorada, ganhar 3 xícaras feias de aniversário e uma câmera analógica. Vi suas duplas exposições, são ótimas. Inclusive, vi suas duas exposições. Foram ótimas. Eu vi tudo, vi você não ver.
Vi suas fotos novas, vi que você comprou uma bicicleta — provavelmente em substituição do seu carro aposentado — e também vi que noivou. Você sempre foi desses que casa e compra uma bicicleta. Sem indecisão.

Eu vi você na rua aquele dia e você estava bonito. Seu cabelo estava grande, seus óculos quebrados e seu tênis com a sola descolada. Você me disse no meio da nossa conversa informal, enquanto ria, que era seu favorito. Sua bicicleta nova era “maneiríssima”, como você mesmo não hesitou em afirmar e disse também que aposentara o carro. Me mostrou uma foto da sua noiva e aquele foi o momento em que me segurei pra não dizer “eu sei, ela é linda e loira, mas não sou eu”. Em vez disso, só ri e me abstive a ver você me mostrando a aliança do casal.
Me contou o quanto se apaixonou por ela e… Ah! Por fotografia. Sim, ela te deu 3 xícaras de aniversário e uma câmera analógica, que despertaram seu interesse pela “captação do tempo em memória eterna”. Essa era sua maneira legal de dizer: foto. Enfim, agora você sabia o rumo da sua vida, você conseguia ver tudo muito claramente.

Pois bem, mas isso tudo eu já tinha visto. Você só não precisava saber. De qualquer maneira, foi bom te ver outra vez. A gente se vê por aí.
Ou eu te vejo daqui.

N O V/2 0 1 2

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