Um esquilo é só um rato playboy.

Eu trabalho em ciclos, método bem comum em textos no LinkedIn: 25 minutos de trabalho duro, 5 minutos de pausa.
Acho que algumas pessoas chamam de Método Pomodoro.
Dia desses, em uma dessas pausas, fui ao banheiro para fazer aquilo que todos fazem mas ainda tratam como tabu. E recentemente descobri que há quem defenda que cocô no trabalho é um ato revolucionário ❤.
No vai e vem de Stories no Instagram, fui impactado com uma coisa lindinha: um conhecido meu, agora morando no Canadá, havia postado um vídeo com vários esquilinhos correndo de um lado pro outro.
Coisa mais fofa.
Com suas nozes.
As mãozinhas minúsculas.
Nhô.
Mas aí me deu um negócio.
:(
Voltei pra São Paulo na última terça-feira após passar o fim de semana na casa de mamãe. Vi três ratos enquanto descia a rua em direção ao carismático viaduto do Glicério.
Três ratos da Liberdade. Do Glicérão.
Vejam bem: o rato de Botucatu, casa de mamãe, bate de frente no máximo com um Stuart Little. Dos poucos que vi nos meus 18 anos na Terra do Saci, poucos eram grandes o suficiente pra fazer alguém em casa rezar.
Se pedir com carinho ele divide o queijo com você.
Mas o Rato do Glicérão, com R maiúsculo, é quase um bípede.
É só questão de entender que com uma pata daquele tamanho é tranquilo de abrir o portão das casas e roubar comida direto da geladeira do cidadão paulistano, tipo em Os Sem Floresta.
Eu diria que falta pouquíssimo para as proto-capivara da Liberdade desenvolverem polegares.
Dramático? Bastante.
Mas eu morro de medo de rato.
O bicho te olha com olhar de malvado, gente.
Coisa de quem tá louco pra te dar um apavoro.
Arrancar no soco a Nesfit que você tá carregando na mochila. Dar na sua cara com essa porra de Guaraviton que sobrou do seu hambúrguer vegano do almoço.
E aí eu fiquei dividido. Por que raios eu tenho tanto medo de rato e achei o esquilinho a coisa mais lindinha desse mundo?
Basicamente, porque o esquilo é um rato limpinho. Um rato que caça nozes no Canadá. Muito mais nutritivo e prazeroso do que caçar lixo no Glicérão.
E, poxa vida, é óbvio que isso é uma problematização chique.
Mas note: Os Sem Floresta é um filme sobre falta de oportunidades em um mundo autoritário e desigual.
A Fuga Das Galinhas é sobre uma classe oprimida que toca fogo no celeiro porque os cuzão da fazenda não davam um diazinho de folga pra elas.
Cagar no trabalho é chamado de cocô remunerado. Coisa da mais radical vertente de anarco-publicitário.
Então, validada a discussão, concluo com a máxima: um esquilo é só um rato afortunado.
E mesmo tendo 99% de certeza de que eu estou biologicamente errado, nunca mais serei rude com ratos.
Salve, Jerry!
Vida longa, Remy!
Obrigado, Mestre Splinter!
Enfim, volto ao trabalho.
