Casualmente (me apaixono)
Chegou de manso. O Cara tinha uma lábia. Cheio de papo e aquele sorriso desgraçado. Um dia, dois, uma semana, de trova. É engraçado, me faz rir, sorrir de orelha a orelha, conquista fácil um coração trouxa que nem o meu. “Lá vamos nós de novo”, penso.
Uma madrugada qualquer. Destino: a casa dele. “Vai ser só sexo”, enfio na cabeça. Baco ao fundo (meu ponto fraco, alguém leu meu Twitter e viu que era minha vontade transar ao som dele), bebida, troca de olhares e lá estou no colo dele. O sexo não foi ruim, foi ótimo. Me visto e decido que dormir junto é uma má ideia. Um coração bundão que nem o meu teria se apegado ali.
Vou para casa. Passa uns dias, o tal cara não mudou. Mais um tempo e lá estava eu de novo. Tesão acumulado dá nisso. A transa só melhora.
Como uma pisciana nata, estava prevendo o golpe. São semanas nessas, precisava fugir. Tentava enfiar na minha cabeça que era só sexo casual. E aí veio o dia que dormimos juntos, não uma vez, mas várias.
Eu decido partir. Porque perder uma foda boa é melhor do que acabar fodida da cabeça. Em tempos de relações líquidas, eu quero um amor tranquilo.
