Tayna Guerra
Sep 6, 2018 · 2 min read

a porra do telefone tocando

São oito e meia da manhã.

Telefone toca na sala.

Levanto lentamente, meio grogue. Bato o dedo mindinho no banco de madeira que era da bisa. Poxa era domingo… quem acorda a essa hora num domingo é porque trabalha na feira hippie ou virou e foi beber nela.

Meu tio tava acordado como sempre, virado também sem feira hippie. Mas com a cervejinha.

Peguei o telefone e era uma tia das tantas que tenho. Grogue e braba por que o preguiçoso não atendeu o telefone murmuro alguma resposta de ola.

“Seu Tio tá em casa? Queria dar os parabéns! São quantos anos?”

Respondia a uns 5 que era 33/34. Vai saber… a cara dele não mudava. Só a barba que ficava branca. Coisa de família.

Desliguei o telefone e grunindo disse parabéns. Se ele não gostava de aniversários, eu odiava bater papo com parentes distantes e entediantes. Principalmente pela manhã e sem meu café e cigarro. Ou costumava. Adeus nicotina. Relou pulmões. Mentira, continuo sedentária.

Voltei pra cama. Olhei pro teto… é não ia mais rolar o retorno ao sono.

Fiz café e o cheiro acordou vó. Sentamos na sala com as enormes xícaras de café e assistimos o desenho do momento. Acho que era Dragon Ball. Desenho é só pra irritar o Hugo, eu sei que é anime.

- Ahh Hugo é aniversariante que tem aversão a contatos humanos normais. Mas se você for uma morena, peituda, bonita e com senso de humor com até uma faixa de dez anos no máximo dos 33 (já disse que não lembro né), ele se torna inegavelmente no rei da lábia. Mercúrio em virgem amigos, mercúrio em virgem...-

Bom, no fim das contas tínhamos um churrasco ou algo assim pra fazer como em tantos outros aniversários de Hugo. As vezes tinham almoços especiais, dependia do humor do rapaz. Era sete de setembro de um ano qualquer. Ele não gostava de atenção, abraços ou firulas. Gostava era da comida bem temperada, da cerveja gelada e das piadas ruins como bom tiozão. Descobri que eram 37, pois algum primo era de um ano a menos, ou a mais... não reparei na conversa que enveredava pelo triste e barango caminho da frase: por que na minha época!!! Somente absorvi a informação e continuei a beber minha cerveja.

Já era umas dezenove e tanta. As veia vão querer ir pra casa pensei, chamei o táxi… o tempo voou no churrasco ou sei lá o que. A mãe tricotava no sofá, realmente abraçando o papel de senhora e o tio roncava na poltrona.

Nada demais pra um domingo, afinal era só mais um sete de setembro.

    Tayna Guerra

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    ~devaneios não lineares~ apaixonada por música e produção cultural, estudante e sofredora de publicidade. macumbeira sim. astróloga e taróloga por amor.

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