RITUAL

Sentada na varanda do nosso caos, espreguiço as lembranças e bocejo minha saudade. Minha alma se enjaula em razão e a mente comunga.

Corro até o nosso porto. Navego e velo seu corpo ausente.

De volta a terra, cavo um buraco a sete palmos do futuro.

Ele ainda respira, mas não fala, nem anda, vegeta no nosso universo em contração. Não sei rezar, sussurrei palavras e não quero que outra o faça.

Sozinha realizo o cortejo, deixo coroas de flores e com elas meus desejos e medos.

Assim, fecho o féretro de mármore que brilha no sol do oeste e enterro nosso amor no manto de tristeza que me veste.