TDAH
Hoje eu li coisas que ela me escreveu e foi como descobrir algo novo mas nada era novo. Ela me disse muitas vezes o que eu li a pouco, ela escreveu muitas vezes. Eu perco a atenção, as vezes não acredito. E a memória sempre falha, a memória sempre cria. Ela nunca foi de disparar palavras e palavras. Sempre quieta. Sempre olhando. Sempre verde, olhos verdes.
Eu não presto atenção quando eu não acredito. Eu não acredito quando presto atenção. E foi aí que eu comecei a perder. Me afoguei nos meus problemas e ela era só uma criança que queria minha atenção. Ela disse, ela escreveu ali.
Nós brigamos mais dias do que ficamos bem e ficamos bem o suficiente para esses dias serem plenos. No entanto, ir do pico ao chão todos os dias é desgastante. A única coisa que eu queria ter certeza era se ela tinha certeza do amor. O amor que eu li hoje, o amor que é “muito”, assim diziam as suas palavras. Em cima ao texto uma música que dizia: ‘não importa o que irá acontecer, você sempre será meu anjo’. É tão cafona e romântico que chorei. Aquela menina é tão simples, eu compliquei.
Eu nunca quis essa simplicidade. O amor não bastou, eu queria esse amor gritado. No entanto, os momentos em que eu mais senti esse amor foram no silêncio dos nossos olhares, na respiração daquela menina deitada no meu corpo.
Era verdade, meu amor?