Insignificantes.
Existem as galáxias. E existe o Universo. E existe o mundo. E existem bilhões de pessoas.
E existe a gente.
E a gente se acha muito importante… Muito relevante. Muito indispensável.
A gente imagina que o universo pode conspirar contra a gente ou à favor. Que no meio de bilhões de seres humanos é exatamente contra nós que está o mundo.
A gente se acha muito profundo. Muito mobilizador. Que o que a gente fala é de muita valia. Que o mundo precisa da nossa existência.
São trilhões de coisas no planeta e a gente acha que sabe de muita coisa. São mais de 2,5 milhões de cidades no mundo e a gente acha que conhece muitos lugares.
A gente acha que tem inimigos. A gente acha que tem segredos. A gente acha que tem problemas. A gente acha tem, que faz, que manda.
Não pode chover porque não queremos. Não pode fazer sol porque não gostamos. Não pode fazer frio porque estamos sem agasalho. “Esse tempo que não obedece a nossa vontade, onde já se viu?”
Temos sempre uma opinião pra dar. Uma coisa importante pra fazer. Uma pressa que é mais apressada que a dos outros. Um caso que é mais urgente que o de todos.
Por essa ausência de senso de inferioridade, seguimos por aí. Fazendo merda demais. Cagadas demais. Fudendo a vida dos outros porque temos a pretensão de achar que a nossa é mais importante. Atravessando o samba com quem só quer ajudar o nosso ritmo.
Achamos que somos uma imponente montanha. Mas somos um grão de areia em uma duna que mede milhões de hectares.
Individualmente somos dispensáveis, insignificantes, ínfimos.
Nenhum de nós tem a menor importância.
Curtir isso:
Curtir Carregando…
Relacionado
Originally published at umalaudaemeia.wordpress.com on November 4, 2014.