Morreres
A gente morre muito nessa vida.
Dia desses eu mesmo morri. De ansiedade.
Foi foda…
Claro que não seria a primeira de minhas mortes.
Como você deve imaginar, morri outras tantas vezes durante esses 31 anos.
Já morri de tédio, de calma, de preguiça, de preocupação. Tudo isso antes dos 15.
De dor de cabeça morro toda semana.
De fome já morri uma vez. De tristeza já morri umas três.
De vergonha, não, nunca morri. Nem de inveja.
Morri de medo em algumas ocasiões. Se eu te contasse todas elas provavelmente você morreria de susto.
Já morri por falar demais, porém muito maior é o número de vezes que morri engasgado com palavras que não disse.
Já morri de véspera e isso me custou mais umas cinco mortes de lamentação.
De saudade eu já morri demais. De amor, nem se fala.
Lembro do tempo em que morria muito de vontade, mas isso é passado.
Acho que foram poucas as vezes que morri de rir.
Como a maioria das pessoas também já morri de pena e de dó.
Como quase todo mundo também já morri de raiva.
Mas de arrependimento, ah… disso eu morri como ninguém.
Quase nunca morro de sono, quase sempre morro de insônia.
Não sou do tipo que morre de curiosidade, mas já morri.
Esses dias eu morri de calor, meses atrás morri de frio.
Já aconteceu de morrer de nervoso e de cansaço.
Toda hora me acontece de morrer de dúvidas.
Por pensar em tudo isso lembrei que outro dia conversava sobre a complexidade que é viver, administrar problemas, encontrar as portas de saída dos furacões.
A gente passa muito tempo preocupado com essas coisas.
E vai morrendo.
E nem percebe.
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Originally published at umalaudaemeia.wordpress.com on February 2, 2015.