Viajar impreciso.

Oi, desculpe a demora em responder.

Estava pensando e concordo com toda aquela coisa que você disse sobre viagens, conhecer lugares, experimentar ambientes, culturas, países diferentes.

Realmente preciso ver com meus próprios olhos todas as particularidades de Barcelona, os telhados de Paris, o vai e vem frenético das calçadas de NewYork e tantos outros lugares que só conheço na minha cabeça.

Mas o meu ponto é outro. São as viagens que esquecemos de fazer.

As viagens pra dentro de nós mesmos. Sabe isso que você diz sobre parar e repensar seu caminho? Mudar de postura, procurar sua verdade, seu eu, essas coisas…

É disso que eu estou falando.

Conheço gente que já foi pra todo canto, mas nunca foi pra aquele lugar que fica no interior do seu interior. (Não consegui sair do clichê). Geralmente só fazemos isso quando já estamos batendo cabeça na vida, perdidos em um lugar onde ninguém pode dar informação. Fazer o quê? Somos todos de remediar e não de prevenir.

Mas o que acho é que é preciso pegar a estrada para lugares que são nossos, mas que nem a gente conhece.

Quem vai ver as estradinhas de terra da minha alma, senão eu? Quem vai admirar o litoral e as falésias da minha intuição, os vales verdes das minhas verdades? Eu quero ir no fundo, do fundo, do fundo do meu mar de sentimentos pra ver os corais e os buracos negros. É preciso viajar para fotografar o instante em que minhas crenças se encontram com a realidade. Conhecer os descaminhos dos meus amores. Visitar a fonte onde nasce o meu ego. Dançar o ritmo que tocam as batidas do morro do fundo do meu coração.

Foi Bukowski que disse existir dentro de todos nós um pássaro azul. Eu quero olhar o meu de perto. Provar os azedos e doces das minhas escolhas, mas conhecer o sabor que tem isso que eu carrego na cabeça. Quero ver os rios que cortam minhas vontades. As fronteiras dos meus problemas. Os limites de território entre o meu lado bom e meu lado ruim (acredito que todo mundo tem os dois lados). Preciso localizar meus desertos. Conhecer bem para nunca mais me perder em mim mesmo. Com um misto de dor e alívio, admirar as marcas de guerra na cidadezinha chamada “minha vida”. Fazer as malas e viajar para tantos outros lugares que existem dentro de um local chamado “eu”.

Essas viagens estão cada vez mais raras. Por mais besta que isso possa parecer.

Por fim, uma questão: não é muito injusto conhecer o mundo sem ainda nem se conhecer?

Até logo. Quando puder, me responda.

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Originally published at umalaudaemeia.wordpress.com on February 9, 2015.