Pro cara que não é só mais um

Outro dia em uma festa com amigos, papo vai, papo vem, um amigo que já tinha tomado um porre resolve jogar na roda o quanto sexo é banal. Fiquei pensando, banal para quem?

É incrível a capacidade que todos nós temos em reviver momentos. Na mesma hora me peguei pensando no caminho da sua casa, as diferentes sensações que eu tive todas as outras vezes em que fui ao seu encontro. Me dei conta de que nenhuma foi igual a outra e isso é curioso. Já deveria saber que, com você, nada, por mais costumeiro que seja, é igual. Nunca foi. Nenhuma das vezes em que eu deitei na sua cama e contemplei a sua imagem, não importasse a luz lá fora, dia ou noite, eu tive o mesmo sentimento. Nenhuma das vezes em que você voltou da cozinha perguntando se eu não queria mesmo mais nada, mesmo dizendo que não, repetidas vezes, eu tive o mesmo sentimento. Nenhuma das vezes em que você acendeu o cigarro, depois de transarmos, e eu quis congelar essa imagem porque à medida que achava sexy e misterioso, jurava ser a coisa mais bonita que vi na vida. Não a imagem. Você, em si. O que você é. Nunca eu tive o mesmo sentimento.

Escrevo pra deixar registrado que eu já conheci muitas pessoas, com algumas me envolvi…outras não e, novamente, nada foi igual nem sequer parecido com o que aconteceu quando eu me envolvi com você. De forma inteira. No início, tive medo. É verdade. Cheguei a pré-julgar que seria coisa de um mês, no máximo. Ainda que eu soubesse que tínhamos um leque de assuntos intermináveis e isso me deixasse anestesiado e, mesmo, muito interessado, somado ao fato de você ser um eterno conhecedor de mundo e isso ser motivo de uma admiração absurda. Como tudo em você. O fato de você ser bem resolvido, a forma como encara e enxerga os outros, como não se importa com a opinião alheia. As suas manias que eu tanto gosto: a bandeja pra comer, o lado favorito da cama, o seu não-gostar pelas meias e seus pés irem e virem sempre de chinelo, o seu espirro, o ronco cansado, a respiração quentinha, o traço no queixo, a boca levemente desenhada, todas as suas pintas, a sua saliência atrás do ombro direito, o seu bumbum — que eu juro, é o mais bonito do universo masculino — a mania de mexer nas orelhas e a de coçar o nariz. Trident de menta, um litro d’água, massas, o gosto compartilhado pela cerveja, a organização dos seus livros, o tempo que toma banho, a maneira como me faz sentir especial, feliz e satisfeito. Isso tudo, e outras inúmeras coisas não faladas ou mesmo lembradas e, ainda, mais outras, sempre surgindo pra deixar claro que você faz cada vez mais parte da minha vida e anda cada vez mais presente nas minhas escolhas, sem dúvidas, com um olhar mais permanente. 
E se você não entendeu o objetivo disso tudo (sem querer questionar sua forma de pensar), basta olhar nos meus olhos pra ver que a vontade de estar com você transborda em mim e eu não tenho controle algum sobre isso. Pra quê? Nunca fui tão feliz.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Artur Lima’s story.