Da ingenuidade à arrogância: como impérios sucumbem

Costumamos dizer que não são poucos os caminhos que levam um homem a cair em desgraça, após uma sucessão de acontecimentos que fogem-lhe ao controle. E ele, perdido em sua sanidade, sente os seus movimentos e pensamentos se tornarem mais lentos à medida em que o mal recrudesce. E quando se perde as rédeas, o cocheiro desequilibra e cai da carroça — muitas vezes as cordas que as prendiam em seus cavalos, também se soltam. É a consumação da impotência. O homem acaba com dilacerações em seu corpo e tonto pela circunstância que se desenrolou numa questão de segundos… Era a pavimentação do pavor e o sacramentar do ódio de terceiros por sua incapacidade em atender a uma mínima demanda justa e necessária para levar sua encomenda ao destino.
Tudo começa quando o homem possui boas intenções e dentro de suas limitações, propõe-se a assistir uma instituição esportiva a alcançar sua irrevogável senda de vitórias. Sob suas próprias limitações e visão ultrapassada, reúne a pior parceria possível para engraxar as engrenagens daquele maquinário potente, cujo potencial ainda não tinha sido determinado e qualquer descuido causaria uma algazarra gigantesca para rearranjar. Para aquele homem, nada poderia assustá-lo, bastava mandar e executar tudo que pensasse. A boa vontade prevalecia sobre a consequência e o imprudente logo dava a deixa para o destino lhe mostrar que justiça há sim, mesmo que à custa de outros.
Conquanto houvesse disposição e recursos suficientes, todo gasto podia ser dispendido e quiçá, mensurado. Convencido de que estaria ileso com seus conselheiros mais próximos, o ‘’eminente’’ retificava suas convicções sempre que algo terminasse num completo desastre. O descalabro com situações corriqueiras mais os consequentes fracassos, só poderiam resultar num justificado pandemônio. E quando tudo mais parecia despencar, forjou sua convicção em fúria… Que de tão ‘’figurada’’, sequer serviu para alimentar artificialmente sua demanda por atitude.
Convencido por seu braço-direito a aturar uma pessoa como seu subordinado, o fez até que não houvessem mais momentos bons a sugar. Assim que seu braço-direito viera a falecer, era iminente que o deslize xisparia com o subordinado supracitado anteriormente. O fez, da forma mais covarde. Aprendeu a bailar e sem direito a latão. Buscou outro para ser seu escudo e lacaio. Pois bem… Conseguiu afastar o velho pesadelo por um tempo, mas não há como adiar o destino que já estava traçado. Em busca de mais sangue, viu a demanda artificial de resultados e auto-confiança se esvaírem de forma célere (seus cálculos não anteviam que em algum momento sua tramóia seria manjada por seus opositores). Para toda tarefa realizado com afinco e nenhum ‘’know-how’’, não há barreiras que delimitem a ânsia por resultados, tampouco algo que fuja a todo momento de algo que poderíamos cognominar de convicção plena.
Sob parcerias ruins e jogadores aquém da necessidade e capacidade da instituição, sucumbiu. Acreditou em velhos mantras e bruxos de outrora, como se a magia pudesse ser restaurada a qualquer momento (sem premeditar o fracasso, muito provável naquele ínterim). Desesperou-se. Tudo por confiar que bastaria sangue para reanimar um morto-vivo. Uma instituição repleta de mortos-vivos não poderia ser reavivada. Eles não sentiam emoções como: ânimo, tristeza, desespero, confiança, indignação. Eram meras carcaças prontas para seu encontro com um solo argiloso de profundidade razoável. A herança maldita de alguém que pulou da barca e deu sua palavra ao eminente: ‘’Não se preocupe, é hora de apostar e confiar no material que dispusemos’’. Tão logo sua ingenuidade desfacelou, a coroa que estava em sua cabeça calva caiu. Porquanto, tornou-se ‘’Rei Nada’’. A população já o aguardaria para hostilizá-lo com sua derrota agora confirmada.
O ‘’eminente’’ engalfinhou-se para a forca de falsos pastores e a praça pública decretou sua sentença. Executado.
O império iria se reconstruir. Isso iria. O mal que se instalou seria dissipado ou momentaneamente afastado? Quem o permitirá nos assombrar novamente?
Não importa, pois o celeiro será reconstruído silenciosamente, na esperança de surgimento de novos ases. Em campo e na hierarquia acima.
