REITORES BIÔNICOS, EAD E VOUCHERS.

1. Para se escolher um reitor nas Universidades Federais ocorre uma consulta à comunidade acadêmica formada por representantes das diferentes categorias da universidade (professores, estudantes e funcionários). Quem “ganha” não é automaticamente empossado reitor. Os Conselhos Universitários encaminham ao Ministério da Educação (MEC) a lista dos mais votados e então o MEC se encarrega de indicar o novo Reitor. Em respeito à autonomia universitária, o MEC procura indicar o vencedor dessas consultas.

2. Na ditadura militar criaram-se os cargos biônicos para os quais não havia votação; prefeitos e governadores eram investidos do cargo pelas autoridades militares. Tirava-se assim, o poder do povo em escolher seus representantes, solapando-se a democracia.

3. Li que o Tosconaro quer escolher reitores das universidades federais automaticamente, acabando com a autonomia universitária, o que me faz pensar que efetivamente se propõe a colocar “reitores biônicos” nas instituições.

4. Dado que o projeto do Bolnossauro para a educação visa submeter a pesquisa universitária à lógica do mercado, sob a alegação fantasiosa de que as universidades federais foram “aparelhadas” pela esquerda, ele pretende, na verdade, que praticamente toda a produção científica do país (majoritariamente produzida por instituições públicas, segundo a Capes) à lógica do mercado.

5. Desde a Lei da Inovação (10.973/04) e do Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (13.243/16) as universidades públicas já têm mais liberdade para firmar parcerias com entidades privadas fazendo uso das infraestruturas, do corpo docente e científico e do próprio patrimônio universitário e tecnológico.

6. Ou seja, não se trata de dar liberdade à universidade pública como se ela estivesse impedida pelo Estado de fazer tais parcerias.

7. Do que se trata então? Trata-se de fazer com que a ciência perca sua autonomia, submetendo-a completamente aos desejos do mercado e, principalmente, de solapar a liberdade de cátedra (cf. Constituição Federal de 1988, artigo 206) no país, uma vez que nas universidades públicas a pesquisa científica está intimamente ligada ao ensino e é nelas que grande parte do campo progressista se fortalece. (Não é por acaso que dados científicos não convencem o eleitorado neofascista)

8. Salnorabo também propõe que se cobrem mensalidades nas universidades públicas. Lembrem, o Brasil é um dos últimos países do mundo a tratar educação como direito fundamental e a garanti-la de forma universal e gratuita. Ainda que com (muitos) problemas e deficiências, é um direito garantido constitucionalmente.

9. Ao propor o cobrar essas taxas num país com índices de desigualdade que o Brasil possui, busca-se promover a elitização do acesso à educação. Uma consequência é o endividamento dos alunos que terão que recorrer a empréstimos privados para pagar. (Até porque Prouni e Fies são coisas de comunistas, não?) Mais uma vez, é a submissão da educação à lógica do mercado e não dos direitos fundamentais.

10. O Bozo defende a Educação à Distância desde o ensino Fundamental. Isso acaba por tirar completamente a obrigatoriedade de o Estado garantir o direito à educação. De modo que, caso se tente matricular uma criança numa escola pública e ela não tenha vagas, será dito que a EAD é a “alternativa”. Num país em que o analfabetismo digital e a falta de literacia básica ainda é uma realidade, como fica a formação dessas crianças? O que garantirá a qualidade da aprendizagem? (Só professores sabem do que falo, possivelmente)

11. O “garoto” Eduardo Bostonaro disse em vídeo que você poderá matricular seus filhos na escola que quiser, inclusive nas privadas, por meio de “vouchers” educacionais. Sabendo da desigualdade social e da exclusão e preconceito de classe que sofrem as comunidades carentes, é possível acreditar que um morador da favela terá acesso às escolas privadas de classes mais altas? Ou ainda, o acesso às escolas militares que ele diz que vai criar será para todos? Para ambas as perguntas a resposta é não, obviamente. É um engodo demagógico e populista e nada mais.

12. Da educação superior ao ensino básico, o projeto bozonarista acaba por ser o assassinato do direito à educação. Ou seja, de uma das maiores frentes de oposição a políticas de exclusão, ao preconceito e às injustiças sociais.

13. Por isso, meus caros, #elenão, #elenunca.

#Haddad13