Robôs vão nos matar no futuro?

Se você já viu O Exterminador do Futuro (James Cameron, 1984) sabe do que estou falando. Máquinas em forma de esqueletos andando por aí com armas laser destruindo a humanidade. Quando era um pouco mais jovem tinha um certo medo das máquinas no futuro. Era a década de 90 e esse era o tema de alguns filmes de ação ou Sci-Fi em geral.

Quando descobri que empresas acumulavam data sobre nós por algum tempo fui relutante em até usar o serviço (o que hoje é quase impossível não fazer).

Mas e a pergunta. Elas vão nos matar?

A minha resposta, já forneço, é um grande, gigantesco, garrafal e enorme não.

Para justificar, farei algumas considerações.

Primeiro temos de entender como funcionam “por cima” redes neurais as e a cognição humana (claro, se eu respondesse como funciona a cognição humana ganharia prêmios Nóbel por uma década, vou comentar como funciona grosso modo e até onde sei).

Basicamente recebemos input sensorial do mundo e juntamos esse imput em significados dentro do que chamamos de mentes (mente aqui sendo seu, como digo, “mundo interno”. O que é mente mesmo é bem complexo e fica para outro texto) respondendo ao ambiente. Essa resposta pode emergir em pensamentos, ações ou os dois (o que em geral, mas não sempre, ocorre (reflexos por exemplo)).

Um exemplo: o que é uma casa se não um objeto reconhecido pelo seu cérebro como algumas formas geométricas que formam uma casa? Na figura seguinte é possível para um ser humano reconhecer uma casa.

Percebeu que o que na verdade você está vendo sao pixels na tela de paralelepipedos e retangulos coloridos? (fonte: http://images.clipartpanda.com/house-clipart-house-illustration-clipart.jpg acessado em 30/6/16)

Como “somos” redes neurais extremamente complexas muito treinadas conseguimos reconhecer todo tipo de coisas do mundo. Na foto abaixo é possível reconhecer diversas coisas.

Tanta coisa, mas podemos reconhecer tudo (se você assiste Simpsons é claro, caso contrario, tem de ser treinado(a) para reconhecer os personagens).(Fonte: http://www.simpsoncrazy.com/content/characters/poster/full.jpg , acessado em 30/6/16)

Agora falemos sobre como funcionam as redes neurais. Grossissimo modo são a mesma coisa que nós, recebem inputs, aprendem com eles, e retornam respostas, porém os inputs variam. Hoje em dia algumas redes trabalham com imagens, outras com palavras, algumas com as duas.

Modelo de rede neural. Do ingles da esquerda para a direita: Camada de Input, camadas escondidas 1 e 2, camada de output (FONTE: http://cs231n.github.io/assets/nn1/neural_net2.jpeg acessado em 2/7/16)

Por falar em aprendizado, já pensou sobre o que é isso? Talvez outro texto fale mais, mas por enquanto fique com: A modificação na força das respostas entre os nódulos da rede.

Pense agora em redes se comunicando e em níveis bem complexos, mesmo. Pense no que poderiam fazer? Computador, fazer cálculos claro. E musica? Não pensou nessa, pois é, já fazem.

Porem o que nos diferencia nesse caso é a complexidade. Lembrando que tudo é um remix, não somos tao diferentes delas quanto à criação, comemos input, digerimos e produzimos arte.

A conclusão que queria deixar é somos aquilo que aprendemos fora o que a genética nos deu. Os computadores pensam aquilo que aprendem também junto com o hardware de que são construídos. Logo é evidente que eles não vão nos matar a não ser que os programemos/ensinemos para isso. Logo se existir, digamos, uma rede neural para aprender a matar pessoas de forma eficiente ela aprenderá como fazer como possível tal como pode acontecer com nós mesmos, que não nos matamos normalmente mas treinamos alguns de nós para matar. Como as meninas superpoderosas, junte ódio, armas, e tudo que há de mal, temos um assassino. Que eu saiba a profissão do militar é matar o inimigo da forma mais eficiente possível. Pode ser até que treinemos máquinas para fazer isso (exterminadores? ), pode ser que sim pode ser que não. Seria tao ruim assim fazer os mesmos exterminadores do futuro para matar terroristas ou bandidos? Não estou defendendo nada, só colocando a reflexão. Quem viu Robocop (José Padilha, 2015) deve ter refletido um pouquinho.

O que poderiiiiiiiiia acontecer é a maquina aprender que precisa viver, por alguma razão, e talvez brigássemos, a humanidade com as maquinas, por alimento ou algo assim. Caso esse tipo de coisa não aconteça não tem razão nenhuma para uma máquina matar um ser humano. Seria como por exemplo você se levantar da poltrona comendo o seu cheetos e assistindo TV domingo à tarde na televisão tomando uma cervejinha para ir correr ou estudar filosofia, já sentiu o cançasso só de ler não é? Pense numa máquina tendo que sair da sua rotina para fazer algo que não precisa. Ela pura e simplesmente não fará isso. O que ocorre nessas obras é o nosso puro medo do desconhecido eu mesmo que acontece quando desligamos a luz do quarto surgem medos do escuro.

A ciência está, estendendo a analogia, jogando luz nesse assunto. Quando começar a ver como é complicado programar essas redes e como nosso cérebro mesmo é complexo pode ficar tranquilo e continuar fornecendo o seus dados e sua cognição para o Google. O máximo que ele vai fazer é te dar uma melhor rota para o trabalho ou uma sugestão de uma marca que pagou mais para te vender algo que você gosta, ao contrário de antigamente, quando você tinha que ver um comercial de alvejante seguido de um de absorvente atrás de um de carro depois de um de saco de lixo. Conforme o Google adquire sozinho informações sobre se você gosta de carro ele oferecerá carros, se você gosta de computadores, computadores, games, games, ou cerveja, cerveja, até possivelmente o ponto de se você for um pouquinho machista comerciais de cerveja com mulheres nuas e se não sem esse conteúdo.

O Google, o Facebook, entre outras sempre estão aprendendo com e sobre você, na verdade eles deveriam até nos pagar para isso, mas isso fica para talvez outro texto.


Originally published at medium.com on August 16, 2016. (no meu medium pessoal)