A história de Alfredo, o louco.
Errante… caminhava pelas ruas solitário.
Uma figura esguia, pálida, de cabelos longos e ensebados; Usava roupas maltrapilhas e uma bolsa tiracolo onde ele carregava sabe-se lá o quê… tinha seus quarenta e tantos anos, mas aparentava ter bem mais — as pessoas o classificavam como sendo “acabado”. Seu nome? Alfredo, popularmente conhecido como Alfredo, o louco.
Ninguém sabia onde morava, de onde vinha e tampouco quem eram seus parentes (se haviam ) … só sabiam o seu nome e que era “louco”.
Já pela manhã era possível vê-lo conversando com os cães de rua, que “ouviam” seus causos pacientemente e depois se iam; Em um mundo onde ninguém mais escuta ninguém, Alfredo achava, assim como São Francisco de Assis, que era mais vantajoso conversar com os animais.
Nos sábados, geralmente invadia a igreja cantando músicas de uma época passada, que ninguém mais lembrava… ia até o altar e ria de todos os presentes, depois saia correndo enquanto gritava sabiamente em alto e bom tom -“HIPÓCRITAS” … “HIPÓCRITAS”…
Gerava repulsa nos velhos e era motivo de chacota das crianças…
Embora a existência não lhe causasse nenhuma preocupação, tenho quase certeza de que aquele homem sabia o segredo da vida. Uma vez eu o vi gritando “ A vida é nada”… “A vida é nada” … A verdade é que era um grande filósofo… um filósofo marginalizado… desprezado… infelizmente, o mundo não permite muito espaço para aqueles que sabem demais.
Não eram raros os dias em que ia recitar poemas em praça pública, alguns ele decorava de livros que achava no lixo, outros ele fazia de cabeça, no momento… A multidão que por ali transitava não lhe dava a miníma… Em verdade era o mais lúcido em meio a toda aquela gente e sabia disso; Cansado, sentava em um canto e ria demasiadamente dos “normais” que por ali passavam.
Essa é a pequena história de Alfredo, o louco; Nunca mais o vi — talvez tenha morrido, ido embora pra outra cidade ou quem sabe só tenha existido na minha cabeça. Das muitas lições que me ensinou, esta talvez seja a principal : Jamais em toda vida, cometer a estúpida loucura de ser um sujeito normal.

