Elemento sociedade

Ando…

Ando mais um pouco…

As ruas estão cheias e ao mesmo tempo vazias…

Sensação de pertencer e não pertencer…

Dualidade transgressora.

O relógio da igreja marca 18:00 em ponto- os sinos badalam estridentemente, entretanto, parece que o tempo parou… não há mais tempo !

Junto de seus pais, o menino segura alguns balões; balões que irão voar como sua inocência futuramente. Há um brilho de não entendimento em seu olhar- e como é vasto não entender… e como é bom não entender… Aproveite menino ! Isso passa bem como todas as coisas na vida passam.

Tudo é efêmero.

Volto meu olhar aos pedreiros : suados, cansados e dependurados em um andaime como animais. Reformam parte da igreja. Inconscientemente, imploram salvação ao ‘’dono da casa’’… soubessem eles que esse ‘’dono’’ há muito anda omisso nas questões humanas. Terá deus perdido as esperanças também? Ninguém será salvo senão por si mesmo- eis a verdade.

Uma ‘’senhora pomposa’’ passa pela calçada — parece rica; As mãos estão abarrotadas de sacolas das mais diversas grifes… Para quê servirá tudo aquilo? para ser mais que os outros? Mas afinal o que é ser? Alguém já teve a sensação de ‘’ser’’? Mistério… Um andarilho lhe pede dinheiro e ela passa reto. Seria ele um invísivel? não poder ser, eu o vejo !

Indagações que me atormentam. Eu enxergo demais ! além do essencial.

Os jovens andam em bando como animais… estão perdidos ! Não há causas pelas quais lutar e há escolhas decisivas a se fazer. Alguns choram, outros riem e muitos gritam e levantam bandeiras corroídas.

Juventude — incoerência da vida

Na zona da esquina as putas esperam clientes. Fumam e calmamente soltam a fumaça. Há vazio e fugacidade em seus olhares. Sabem que não pertencem… sabem que vivem a margem… sabem que existem e no entanto questinam se de fato existem. Assim como todo mundo, esperam a grande resposta- resposta que nunca será dada.

Tantas preces fiz a deus para que ele me desse a resposta. Jurei não contar a ninguém. Ele não me ouviu (ou fingiu não ouvir)… Até hoje nada sei !

As pessoas começam a voltar do trabalho — não há expressões… O que vejo é apenas uma ponta de esperança e a sensação de ser sozinho no mundo- E todos somos ! Quem poderá dizer que de fato deu a mão ao outro?

Felizmente ainda podemos ouvir Caetano…

Estamos imersos em mistérios…

Tudo isso que vejo é um microfragmento da sociedade, sociedade que está em um mundo que por sua vez se encontra num cosmos que dizem ser infinito. E como assusta a vastidão do infinito.

Pequenez diante do todo. Somos todos pequenos. Ninguém sabe nada.

Sonho?

Realidade?

Não sei… Cada um tenta compor sua verdade.

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