Errante delirante.

Errante… Solitário…Sem expressão…

O jovem um tanto perturbado caminhava sem rumo por uma rua na tarde de domingo (seu dia preferido, já que as ruas estavam desertas e não se via um ser humano).

Detestava as pessoas… Se sentia estrangeiro dentro do mundo. Embora detestasse os outros, também não gostava da solidão, porque nela se via por inteiro- sentia-se ausente de si mesmo ( e talvez fosse ).

Vivia de modo mecânico, como se fosse um robô programado para ‘’existir’’.

Era desacreditado em relação a tudo na vida: Não acreditava na bondade, felicidade era ilusão, e amor, se um dia existiu, acabou — quase um discípulo de Schopenhauer.

Caminhava… Seria apenas mais uma caminhada habitual de domingo se um acontecimento não o tivesse surpreendido — : Um casal de idosos na calçada… andavam calmamente que até pareciam levitar; Cada qual aparentava ter cerca de uns oitenta e tantos anos, entretanto, expressavam uma jovialidade sem igual. Havia luz em seus olhares. Por um momento pararam diante de um pé de ipê amarelo- contemplavam um casal de sabiás que nele havia se instalado; De mãos dadas, trocavam palavras e davam risadas. Doce beleza da vida.

Um acontecimento que passaria batido a outros olhos fora simplesmente estarrecedor para o jovem- via aquela cena e não acreditava. Um desconforto iminente dentro de si. Algo difícil de suportar. Náusea.

Uma cena banal… cena esta que veio a derrubar todas as crenças que tivera até ali- O amor verdadeiro, aquele que é impossível descrever, existia. A felicidade existia e estava no simples. A vida tinha essência. A plenitude acontecia naquele instante.Seu niilismo foi por água abaixo- Haviam matado sua personagem… Sua máscara se fez em mil pedaços, sentia-se nu diante do mundo.

A ilusão de que a vida era ruim desapareceu por total. Descobriu a liberdade. Quem escolhia se a vida era boa ou ruim, quem a fazia boa ou ruim e quem tinha a capacidade de mudar tudo era única e exclusivamente ele. Não havia determinismo (Isso sim era ilusão).

Desilusão… desencanto…

Teve de encarar a realidade.

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