desejo-manifesto

é preciso (trans)passar a lógica de exploração espacial das cidades, essa, imersa na malha do capital­-ismo material e imaterial, doente das coisas simbólicas, da poesia política, de (re)existências guerreiras. sejamos combativos de tudo que cerca, comprime e arremata nossos territórios, pensamentos e corpos. trata­-se da proposição de respiros (urbanos, visuais, afetivos…), como verdadeiras mani­-festa-­ações pela urgência da fome das coisas que nascem do lado de fora das estufas concretas -­ de minérios, ternos e outras geologias de difícil acesso. a perspectiva de um novo modo de existir, para um novo pensamento de cidade, de gente, de espaço, de afeto, é desejável, ­ assim também o são as relações ecocardioecológicas com tudo o que vive no entorno ­- e no dentro ­- de nós. há que se questionar a especulação imobiliária expondo­-a como de fato se esconde, engana, desmonta e destrói: uma forma bruta, abrupta! de imobilização da vida pela imposição, invasão e violação do humano ­- verdadeiro cimento aplicado às ideias, soterradores de tudo o que escapa, seja terra, bicho, gente rio ou riacho. o desejo do preenchimento a todo custo dos vazios urbanos é o fetiche pela espetacularização das formas de promover nossa própria morbidez humana. questionemos os editais de insalubridade e as políticas de fazer morrer nossos terrenos-­pulmonares. contra todo estado de dureza perene! resistir à concretude de tudo que nos devassa, dos arranha-­céus que nos achatam e nos partem em pequenos sufocos quadrados, há de ser uma lei! é fundamental criar um novo modo de saber viver­-fissura pelas cidades, de deixar vazar. ecoemos! sejamos correntezas de cultura e arte, espécies de terra à vista contra as políticas do cimento e do medo. é preciso fazer crescer florestas de desejos humanos, para além dos mirantes de mofo e de toda gentrificação urbana. pelo fim das cidades obtusas. pelo direito ao avesso de toda lógica capital. é preciso fazer nascer a afetividade nova, a arquitetura nova, o pensamento novo. o olhar novo, alerta, às muitas e múltiplas cidades que vivem em nós.