1º GRANDE ATO PELO PARQUE DO BIXIGA | MANIFESTA COSMOPOLÍTICA + ABRAÇAÇO PELA LIBERAÇÃO DO TERRENO PARA O PARQUE | foto jennifer glass

O bairro da Bela Vista, Bixiga, é tombado, desde o gabarito das casas, até o traçado das ruas. Tendo em vista sua importância cultural para a cidade (concentra nada menos que um terço dos cerca de 3400 bens tombados do município), suscita desde os anos 1970 iniciativas do poder público para que se desenvolva ações ali considerando sua relevância histórica.

SOBRE O DIREITO DE PROPRIEDADE

A luta pelo Parque do Bixiga não atravessa o direito de propriedade de Silvio Santos: é lei, é verdade. Assim como também é lei a preservação do patrimônio histórico e cultural, e seus aspectos turístico, arqueológico, artístico, ambiental…

O projeto das 3 torres de 100m com + 3 andares de estacionamento subterrâneo, vai sim descaracterizar o teatro oficina, que é um bem tombado, assim como vai descaracterizar a casa de dona yayá, o TBC, E MAIS DE 40 IMÓVEIS TOMBADOS na região que são igualmente ameaçados e correm risco pela dimensão desse projeto imobiliário.

Segundo Maria Helena Diniz, “o direito de propriedade não tem um caráter absoluto porque sofre limitações impostas pela vida em comum”.

“O direito de propriedade, especialmente na Idade Média, era um direito absoluto, exclusivo e perpétuo, ou seja, o proprietário tinha a liberdade de dispor do bem do modo que lhe aprouvesse; era do proprietário, e somente dele; e não desaparecia com a morte do dono, passando a seus sucessores, e não se perdendo pelo simples não uso.

Contemporaneamente este direito foi sendo relativizado, e foram-lhe impostas limitações que vão de encontro com as características antigas: as restrições, que limitam o caráter de absoluto; as servidões, que limitam seu caráter exclusivo; e a desapropriação, que atinge seu caráter de perpétuo” + sobre direito de propriedade, AQUI.

É importante destacar que o bairro do Bixiga, assim como o bairro da Liberdade, e outros tantos bairros reconhecidamente turísticos em São Paulo, são parte do patrimônio cultural da cidade e movimentam, sim, capital, circulação de pessoas, interesses, cultura… os teatros, as cantinas, a música, as feiras de rua, de antiguidade, são característicos desse lugar, o Bixiga, de Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, VAI VAI, TBC, Casa de Dona Yayá, Teatro Oficina, e tantos outros.

A luta por um PARQUE PARA A CIDADE é justamente uma maneira de, dentro da lei, sociedade civil + interesse público, se articularem. Isso não significa passar por cima da propriedade, tão pouco da lei. Todo o trâmite para que crie o Parque do Bixiga, que já tem projeto de Lei correndo na câmara, prevê instrumentos jurídicos de indenização, seja pela troca de um terreno, ou transferência de potência construtivo….

Não se trata de uma luta contra as torres, contra a propriedade privada — essas torres, dentro de projeto faraônico, podem ser construídas em espaços que as acolham sem que seja agredida e violentada sua identidade visual, cultural, histórica. Se trata de uma negociação, de interesse público, visando a preservação de um espaço muito valioso para a cidade, e sobretudo para o bairro do Bixiga: hoje o mais adensado da cidade de São Paulo.

São 69.460 habitantes em 2,6km², uma taxa de 26.715 hab/km², 1 pessoa a cada 26m², de acordo com o censo de 2010, cuja estimativa era para 2015 chegar ao 72.000 habitantes.Toda a população está abrigada em aproximadamente 32.000 domicílios e conta com apenas uma área pública verde, projetada como praça — a Praça Dom Orione. A subprefeitura da Sé possui hoje o indicador de área verde de 2,45 m²/hab. O território do Bixiga ocupa o pior número dentro desse perímetro, com a menor taxa de área verde por habitante. Por isso, o Parque do Bixiga é questão de saúde pública: para as pessoas, para o bairro, para a cidade.

IMPACTOS DAS TORRES NO BIXIGA

Aumento do custo de vida;

Aumento dos aluguéis;

Aumento exponencial do tráfego;

Violenta transformação da paisagem de um bairro que tem como característica um conjunto arquitetônico baixo;

Interferência na insolação e na ventilação, com assombroso sombreamento nas áreas (prédios e casas) que ficarão sob o impacto das torres;

Impacto direto no rio do Bixiga que atravessa o terreno todo debaixo da terra;

Impacto sobre a cultura de um bairro cultural, popular, que cultiva a força do encontro entre os teatros, os sambas, os churrascos de rua, o futebol, as caminhadas a pé, as feiras urbanas, o pequeno comércio, o corpo a corpo entre moradores, artistas migrantes e imigrantes;

BENEFÍCIOS DE UM PARQUE NO SEU BAIRRO

O reflorestamento do Parque do Bixiga com resgate da vegetação originária de São Paulo, sobretudo da região do Bixiga, é previsto também como forma de amenizar o impacto de ruídos, trazendo melhorias acústicas e climáticas que são fundamentais para a população de um bairro, predominantemente de casas, que sofre com o resultado das construções viárias massivas do fim da década de 60 em São Paulo.

+

- Amenização de ruídos e impactos sonoros

- Diminuição da temperatura ambiente

- Redução da velocidade dos ventos

- Melhora considerável da qualidade do ar

- Diminuição do surgimento de asma em crianças

- Queda do risco de problemas cardiovasculares

- Aumento da qualidade de vida e melhora no estado de saúde em geral

- Redução do risco de depressão e ansiedade

- Preservação da fauna e da flora

- Melhora na permeabilidade do solo, o que evita enchentes, dando um destino para a água das chuvas. Toda cidade precisa ter áreas permeáveis.

VOCÊ SABIA?

Os ofícios tradicionais de bairros como a Bela Vista fazem parte de um estilo de vida, eles também são considerados cultura. Profissões como sapateiro, estofador, costureira, alfaiate, técnicos de manutenção de eletrodomésticos, vendedores ambulantes e pequenos comércios, também as feiras de rua, são atividades que sofrem o impacto direto da revitalização feita com torres de apartamento, shoppings e condomínios fechados. Essas atividades costumam desaparecer nos bairros em que a cultura local não foi levada em consideração na hora da expansão do progresso, seja pelo aumento dos aluguéis, que causam a expulsão dos moradores, seja pela chegada de um novo ritmo de urbanização que não tem nenhum vínculo com o tipo de vida que existe ali.

POR ISSO TUDO, ENTRA NA LUTA PELO #PARQUEDOBIXIGA, FALE COM OS CONSELHEIROS DO CONPRESP SOBRE A IMPORTÂNCIA DESSA HISTÓRIA!

A VOTAÇÃO NESSA INSTÂNCIA SERÁ NESSA SEGUNDA, 4 DEZ, ÀS 14H.

a sessão é aberta ao público

+ sobre o parque do Bixiga, AQUI.

PRESSIONE OS CONSELHEIROS DO CONPRESP PELO PARQUE DO BIXIGA!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.