Atados

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Estamos o tempo todo cercado de influências do que é certo, daquilo que é ideal, algo que deve ser alcançado e desejado por todos. Quando tais objetivos são adquiridos, novas metas são criadas e o ciclo de desejos continua, alimentando um consumo viciante na vida.

A cultura do consumo esta cada vez mais enraizadas na sociedades. Diversos datas comemorativas foram criadas para impulsionar o consumo durante o ano. A mídia reforça diariamente que é preciso adquirir algo (que você realmente não precisa) para alcançar a felicidade.

Chega um determinando momento que nenhuma forma de consumo lhe satisfaz e você questiona tudo a sua volta. Um chocolate que custa o triplo do preço na época da Páscoa; a mesma roupa vendida no centro popular, ganha destaque e preços altíssimos na vitrine do shopping; uma água mineral a preço de ouro no restaurante badalado, dentre outras coisas que nem percebemos e pagamos o preço alto.

Existe uma discussão profunda se vale a pena comprar aquele determinando produto a preços exorbitantes, para se ter um “diferencial”, um uso exclusivo, prática adotado pelo mercado a décadas. Cada um tem o direito de pagar quanto quiser por aquilo que bem entender e ninguém é obrigado a consumir aquilo. Cada um saber o valor que seu dinheiro tem. Por outro lado, quando se analisa todo o cenário, você começa a tomar pequenas atitudes no seu consumo diário, questionando esse tal “valor agregado” nos produtos merda.

Um exemplo bobo são os food trucks. Sou completamente a favor de se cobrar um valor alto por um produto diferenciado, afinal de contas, paga quem quer. Agora, triplicar o preço de um pão com presunto e queijo? Só porque ele está em um caminhão personalizado e tem um nome “misto quente irlandês”? Desculpe, mas isso é engana trouxa.

Esse tema é bem amplo e é possível questioná-lo em diversas situações do dia-a-dia. Acredito que preços abusivos sempre existirão enquanto as pessoas estiverem dispostas a consumir. Logo, as mudanças só aconteceram quando começarem a repensar esse consumo desenfreado. Enquanto isso, só nos resta ficar atados as grande empresas, que cobram o que querem e nadam em um mar de dinheiro, enquanto criam ilusões de consumo sobre o que devemos ter ou não para sermos felizes.

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Publicado originalmente no Universo e a Caneca de Café