Interpol — Marauder: Resenha

Ano: 2018
Selo: Matador Records
Produção: Dave Fridmann
Faixas: 13
Nota: 6,5
Há dezesseis anos, ao lançar Turn on the Bright Lights (2002), a banda norte-americana Interpol conquistou o seu posto como uma das mais importantes dessa geração, surgindo em meio à cena indie dos anos 2000 que também revelou nomes como The Strokes, Yeah Yeah Yeahs e LCD Soundsystem. Seis discos depois, o lançamento de Marauder demonstra que Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino ainda sabem agradar os seus fãs mais devotos, ao tentar alterar certos elementos da sua sonoridade, mas sem perder a sua identidade.
A banda não arriscou cair em uma complexidade que poderia não condizer com a sua musicalidade, e tenta mudar por meio da simplicidade. Como ponto de partida, a banda convidou o produtor Dave Fridmann para ajudar em Marauder; o músico já trabalhou com bandas do calibre de MGMT, The Flaming Lips, Mogwai e Spoon. No caso das duas últimas, Dave foi diretamente responsável por torna-las menos experimentais, deixando o seu som mais cru, algo que também acontece no novo álbum do Interpol.
A grande diferença (lamentavelmente) em relação a outros discos da banda é a quase não utilização do baixo, que já não era um grande destaque em El Pintor (2014), graças à saída do instrumentista Carlos Dengler. Os arranjos pesados do instrumento que transformaram o Interpol em uma espécie de “Joy Division do século XXI” ainda fazem falta, e não à toa, Stay in Touch é uma das melhores músicas do novo álbum, uma vez que é a única canção que traz essa energia sombria e ao mesmo tempo cativante da banda nova-iorquina. Porém, há acertos, como a também retirada de teclados, e principalmente, o casamento certeiro entre a guitarra de Banks e Kessler, que ligeiramente afasta o grupo daquele indie rock já ultrapassado, e oferece ao ouvinte uma vibe mais dançante e animada, como em Complications e NYSMAW.
As composições em Marauder também se constituem de nuances entre erros e acertos. Há letras belíssimas, como a de If You Really Love Nothing, que narra a relação problemática de um homem e sua amante com transtornos psicológicos; o refrão é melancólico (“If you really love nothing/Everybody’s made up/Everybody’s losing”), e combinada à tristeza embutida na voz de Banks, já se torna uma das grandes canções da banda. The Rover, primeiro single lançado para o disco, é bastante inteligente ao encarnar o personagem do saqueador (Marauder em inglês), nos apresentando um andarilho que gosta da catástrofe, e percorre o mundo fugindo de qualquer responsabilidade (“You were high and on the wrong street”). Entretanto, há letras que soam clichê demais, como a de Party’s Over, música que é crítica em relação ao mundo pós-moderno, mas que ao fazer isso, se comporta como a figura do homem de meia idade que odeia tudo que é atual (“I can see you on internet/That’s your milieu”).
Mais uma vez, o Interpol caminha de forma mais íntima com a nostalgia do que com a novidade, entregando um álbum que empolga quem gosta da banda, mas que dificilmente vai chamar a atenção de quem quer conhece-la, já que as mudanças não são tão notórias e o grupo ainda ataca em um território familiar. Se o seu caso de amor com os nova-iorquinos não é de hoje, vale a pena escutar Marauder, já que, em diversos momentos, é possível encontrar o que o trio tem de melhor: uma mensagem direta, sincera, e de certa forma melancólica.
