<poética>

Eu nunca tive a pretensão de escrever as mais belas histórias, daquelas que arrepiam conforme o olhar corre pela linha.
Aliás,
eu não gosto de gente que escreve dessa forma. Porque pretensão é algo que se sente, mesmo por escrito.
Claro, existem os gênios. Aqueles que não conseguem se expressar sem que todas as palavras tenham sido organizadas numa lógica tão óbvia e bonita que parecem um balé.
Mas tem quem força: a barra e a paciência.
Desses eu quero distância, afinal num mundo de fotos e frases de efeito, forçar ser criativo no dizer é tentar garantir um pseudo-título de escritor no grito.
É sofrido de ver. uma simbiose entre o egocentrismo dos que se sentem muito cultos diante da massa e o repertório raso de quem tem contato e acha “o máximo”.
Por esse ranço talvez eu nunca tenha me sentido confortável com elogios à minha escrita. Me sinto constantemente uma fraude, mas prefiro ter a consciência da minha farsa a ser mais um millennial poético de instagram.
