Mossoró em Versos

Por André Luís, Edisônia Martins e Tamara Sena
“Poesia é revolução! E vê a quantidade de poetas que estão tirando seus poemas da gaveta, é lindo!”.

É nesse pequeno verso que a jornalista e poetisa Rayane Medeiros transborda sua satisfação em fazer parte dessa geração de poetas que estão surgindo na cidade de Mossoró. Escrever poemas em Mossoró não vem de hoje, os que buscam esse caminho já perderam mais a vergonha e aqueles versos que guardavam apenas para si, agora ganham vida e voz, inclusive encorajadas por poetas mais antigos.

Falar de poetas que estão surgindo no cenário mossoroense implica em dizer que escrever poema não é algo que se prende ao tempo.

“O movimento de poesia não é um movimento contínuo, é cíclico. Sempre tem pessoas novas publicando”, afirma o professor de literatura do curso de Letras da Uern, Aluísio Barros.

E entre uma publicação e outra, eis que vemos o trabalho publicado da estudante de Publicidade e Propaganda da Uern, Denise Medeiros, que lançou recentemente um livro de poesias intitulado de À Meia Luz. A obra independente teve grande repercussão em sua cidade natal, Caicó, e teve a primeira edição com uma tiragem de cem livros rapidamente esgotada. Atualmente além de trabalhar numa segunda edição, Denise também busca conhecer mais da poesia de Mossoró.

A oportunidade de publicar poemas em livros ou jornais não bate na porta de todos os poetas.

“Acredito que os movimentos de novos poetas/poetisas em nossa cidade se fazem a partir dos encontros e espaços construídos com/para aqueles e aquelas que não receberam honras em alguma academia de letras ou que não publicaram livros ou que nunca publicaram poemas em algum jornal ou sequer folheto, mas que trocam poesias, ideias, sonhos,” fala a poetiza Camila Paula.

A partir de movimentos de poesias locais, Mossoró mostra-se como uma cidade que muito tem a oferecer em termos de produção literária voltadas para a arte de se fazer poesia, seja ela independente, acadêmica, nova ou tradicional. Contudo, essa arte que é reconhecida e reverenciada por alguns, não traduzem o real significado do que é se fazer poesia para outros.

Crítica à literatura mossoroense

Polêmica também acontece nos bastidores literários. Falar de poesia no Rio Grande do Norte é também tocar na questão da polêmica que envolve as afirmações do jornalista Vicente Serejo que declarou que depois de Dorian Jorge Freire e Jaime Hipólito Dantas, a literatura mossoroense ficou muito a desejar, inclusive a classificando como literatice, ou seja, mania ridícula de se fazer literatura.

Quanto a tal posicionamento, o poeta Caio César Muniz afirma:

“Sobre Vicente Serejo, acho que foi extremamente infeliz em suas colocações. Ele não conhece a realidade literária de Mossoró para tecer qualquer comentário a respeito. Ele conhece a geração de Dorian Jorge Freire, Jaime Hipólito e outros, uma geração muito rica, diga-se de passagem, mas há uma produção recente também belíssima que ele desconhece, então, perdeu uma grande oportunidade de ficar calado.”

Polêmicas à parte, deve-se reconhecer que Mossoró tem pessoas que produzem textos, sejam eles poemas, crônicas, contos, romances, enfim, se alimentando daquilo que a literatura pode oferecer. É como diz a poetiza Rayane Medeiros:

“Sou imensamente feliz e orgulhosa, em fazer parte dessas pessoas que rasgam sua alma; que se doam, e querem ver o mundo pintado de versos. Que venham mais poetas! Falemos de amor, liberdade, política, sexo… Não importa o tema, o que importa é não deixarmos a poesia morrer!“